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Persona 4 Revival prova que a Atlus não perdeu a mão no remake

Cara, vamos ser sinceros: o sucesso estrondoso de Persona 5 deixou a Atlus numa posição confortável demais. De um lado, a empresa passou anos ordenhando cada gota de lucro daquele jogo, e do outro, resolveu usar a estética estilosa dele como um molde para tudo o que veio depois. Quando vimos Persona 3 Reload, a ficha caiu: a Atlus quer unificar a identidade visual da trilogia moderna. Agora, com a chegada de Persona 4 Revival, esse sentimento de 'mais do mesmo' bateu forte, e eu confesso que estava com um pé atrás sobre se a alma do jogo original sobreviveria a essa maquiagem.

Para quem é fã de carteirinha, Persona 4 Golden não foi apenas um jogo, foi uma experiência formativa. Eu joguei esse título inúmeras vezes no PS Vita e guardo ele com um carinho absurdo. Meu maior medo era que essa tentativa de criar um estilo artístico coeso para a franquia acabasse matando a personalidade única de Inaba. Eu estava genuinamente preocupado que o hype em torno dos gráficos modernos fosse mascarar a perda daquela vibe especial que só o quarto jogo tinha, transformando tudo em um produto genérico de luxo.

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Mas ó, tive a chance de colocar as mãos no game durante a Gamescom e posso dizer com tranquilidade: respirem fundo, porque a essência continua intacta. Claro que tem coisa diferente, tipo a troca de quase todo o elenco de dublagem em inglês e a trilha sonora totalmente regravada e rearranjada. Eu ainda não engoli totalmente os novos retratos dos personagens — sério, o que aconteceu com a linha do maxilar do Yosuke? — mas assim que comecei a explorar o castelo da Yukiko e encarei a Shadow Chie, aquele frio na barriga de quando liguei o jogo pela primeira vez voltou com tudo.

Um dos pontos que mais me impressionaram foi a cidade de Inaba. Agora ela é totalmente explorável em 3D, e caminhar por aquelas ruas sinuosas revelou um nível de detalhe e finesse que o hardware antigo simplesmente não aguentava. A Atlus conseguiu manter aquele equilíbrio perfeito entre o aconchego de uma cidade pequena e aquela sensação levemente perturbadora de que algo está errado. É o tipo de upgrade que a gente sempre quis ver em Notícias de remakes, onde a tecnologia serve para expandir a imersão e não apenas para colocar texturas em 4K sem propósito.

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No quesito dungeons, a Atlus resolveu manter o formato de corredores gerados proceduralmente. Para ser honesto, eu ainda não sou fã desse sistema, mas as melhorias na exploração e no combate dão um gás novo para a coisa. Os Shadows continuam sendo agressivos pra caramba, mas agora temos a mecânica de guard, que permite atordoar os inimigos para ganhar a vantagem. Isso é um buff enorme para quem se acostumou com a furtividade de Persona 5 e não quer ficar tentando dar a volta no inimigo infinitamente para conseguir um golpe crítico.

Visualmente, as batalhas são onde o facelift realmente brilha. Os designs dos Shadows estão fantásticos; o Hablerie, com aquela língua para fora, ficou ainda mais perturbador do jeito certo. O mais legal foi a decisão da equipe de aprimorar os modelos existentes com texturas e detalhes extras em vez de refazer tudo do zero. Isso manteve a identidade visual original, mas elevou a qualidade para os padrões de PlayStation e PC atuais, provando que menos é mais quando se trata de respeitar a obra original.

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Agora, falando de gameplay puro, o clássico sistema '1 More' voltou, mas agora ele está fundido com o Baton Pass de Persona 5. Isso permite passar o ataque extra para um aliado, criando combos muito mais fluidos e destrutivos. Além disso, tem uma mecânica nova onde você pode arremessar Shadows uns contra os outros para propagar status negativos e causar dano extra. Eu não consegui testar isso a fundo na demo, mas a ideia parece ser animal e deve mudar completamente a estratégia de combate.

Para fechar a parte técnica, temos o Prime Time, que parece ser a adição mais pesada ao sistema de lutas. Você enche uma barra que, ao ser ativada, permite realizar várias ações e habilidades sem gastar HP ou MP, além de ignorar resistências e usar o Baton Pass livremente. No papel, isso parece algo completamente broken, mas estou atento para ver como a Atlus vai balancear isso no jogo final para não tirar a graça dos desafios mais difíceis.

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No fim das contas, Persona 4 Revival consegue a proeza de ser moderno sem ser genérico. A preocupação de que a série estivesse sucumbindo a uma monotonia visual foi dissipada assim que a gameplay começou. É um remake que respeita o passado, mas que não tem medo de injetar mecânicas novas para tornar a experiência menos repetitiva para os veteranos de Inaba.

Meu veredito antecipado é que estamos diante de um dos remakes mais honestos dos últimos tempos. A Atlus pegou a fórmula que funciona, poliu onde era necessário e entregou um pacote que agrada tanto quem nunca jogou quanto quem já zerou o original dez vezes. Se você gosta de RPGs densos com personagens marcantes, esse jogo já deve entrar na sua lista de prioridades agora mesmo.

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