Olha, se tem alguém que sabe transformar crime, ternos caros e diálogos rápidos em puro entretenimento, esse cara é o Guy Ritchie. O diretor não está apenas fazendo filmes, ele está basicamente colonizando os serviços de streaming. De um lado temos Young Sherlock no Prime Video, do outro MobLand no Paramount Plus, e agora, o fenômeno The Gentlemen na Netflix, que provou que o público ama aquela mistura de aristocracia britânica com tráfico de maconha.
O nível de hype em torno da produção é tão absurdo que a Netflix não quis nem esperar a Season 2 chegar aos nossos olhos para já bater o marto na renovação da Season 3. Isso é algo raro hoje em dia, onde as plataformas cancelam séries no meio da primeira temporada se o algoritmo der um espirro. Aqui, o recado foi claro: a série é um hit e eles querem extrair cada gota de suco desse universo criminoso e sofisticado.

Para quem caiu de paraquedas, a trama gira em torno de Duke Eddie Honniman, interpretado pelo talentoso Theo James. O cara era um capitão do exército e oficial de paz da ONU que, ao voltar para casa após a morte do pai, descobre que a herança da família não é apenas terra e castelos, mas sim uma plantação massiva de cannabis operada por traficantes. É aquele tipo de premissa que parece clichê, mas que na mão do Guy Ritchie vira algo visceral e estiloso.
O desenvolvimento do Eddie é a melhor parte; ele começa querendo apenas tirar a família da lama e resolver as dívidas do irmão, Freddy, mas logo percebe que tem um talento nato para a malandragem do crime organizado. A dinâmica dele com a Susie Glass, vivida pela Kaya Scodelario, é elétrica. Eles formam uma parceria perigosa que mistura negócios escusos com aquele clima de "será que eles vão se pegar ou se matar?", o que mantém a gente grudado na tela.

Agora, se prepara porque a Season 2, que estreia no dia 3 de setembro, promete elevar a barra. O novo trailer mostra o Eddie tentando expandir seus domínios não apenas na base da violência, mas também jogando o jogo político para tentar a descriminalização da cannabis. O cenário também muda, saindo do campo britânico e partindo para a Italy, o que deve trazer aquele visual luxuoso que a gente adora ver enquanto o caos acontece ao redor.
Outro ponto alto é a presença de Giancarlo Esposito, que interpreta o bilionário Stanley Johnston. Ele serve como aquele mentor sinistro que empurra o Eddie para ser mais agressivo e ambicioso, criando um conflito interessante com o Bobby Glass, interpretado pelo lendário Ray Winstone. É esse jogo de xadrez entre egos inflados e fortunas imensas que faz a série se destacar de qualquer outra produção de crime genérica que a gente encontra por aí.

Nós aqui da Gamer Elite acompanhamos muitas Notícias de produções adaptadas, e é fascinante ver como The Gentlemen conseguiu expandir o filme de 2019 sem se tornar redundante. O próprio Guy Ritchie afirmou que a ambição da série acelerou e que as consequências agora têm mais peso. Quando um diretor está nesse nível de confiança, a tendência é que ele tente quebrar as barreiras do gênero, fugindo do óbvio e entregando algo realmente disruptivo.
Mas, sendo sincero, fica aquele receio: será que a série consegue manter esse fôlego por três temporadas ou vai acabar se perdendo em subtramas desnecessárias? Muitas vezes, quando a plataforma renova rápido demais, os roteiristas começam a encher linguiça e a série acaba que flopou no final. Espero que o Guy Ritchie mantenha o ritmo frenético e não tente transformar a série em uma novela de luxo.

No fim das contas, se você curte diálogos ácidos, violência estilizada e personagens que são deploráveis, mas fascinantes, The Gentlemen é obrigatória. A Netflix acertou em cheio nessa aposta e, se a qualidade da primeira temporada se mantiver, teremos um dos maiores sucessos de crime do streaming nos próximos anos. Agora é só contar os dias para 3 de setembro e ver o circo pegar fogo na Itália.



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