Cara, se tem uma coisa que o Adam Wingard sabe fazer é transitar entre extremos. O cara saiu de blockbusters gigantescos do MonsterVerse, onde lidou com monstros do tamanho de prédios, para entrar a fundo no cinema mais sujo e visceral possível. Nós aqui da Gamer Elite ficamos de olho no novo projeto dele, Onslaught, e a sensação é que o diretor simplesmente construiu uma máquina do tempo, voltou para os anos 70 e roubou o roteiro de algum estúdio decadente de Los Angeles. É aquele tipo de cinema que a gente ama: visceral, sem frescura e com um pé no absurdo.
Para quem não está por dentro, a premissa de Onslaught é completamente insana. A trama gira em torno de uma mãe solteira, interpretada por Adria Arjona, que se vê presa em um trailer park tendo que sobreviver a um trio de super-soldados zumbificados. E quem soltou essas aberrações? Um cientista nazista maligno, o Dr. Hans Kammler, vivido por Dan Stevens. É basicamente um prato cheio para quem curte aquele clima de filmes de exploração, mas com a roupagem moderna da A24, que consegue dar aquele polimento de luxo mesmo em histórias que beiram o ridículo.

O Wingard deixou claro em entrevistas que a ideia aqui é criar algo que satisfaça aquele desejo por um "filme B", mas com a qualidade técnica de uma superprodução atual. Ele não quer fazer um filme comportado; ele quer homenagear os mestres do grindhouse e atualizar esse gênero para o público de 2026. É interessante ver como ele usa a experiência de dirigir filmes de Godzilla para aplicar em uma produção de orçamento bem menor, aproximadamente R$ 137,5 milhões (os $25 million originais), provando que você não precisa de CGI de centenas de milhões para criar tensão e impacto visual.
Uma das maiores influências nesse projeto é, sem surpresa, o mestre Quentin Tarantino. O Wingard é fã assumido e trouxe isso para Onslaught de formas bem específicas. Ele chegou a ajustar a cor do sangue artificial para que ficasse com aquele tom de vermelho vibrante e quase cartunesco que vimos em Kill Bill. Essa escolha estética tira o filme do realismo chato e o joga num campo de estilização que combina perfeitamente com a proposta de ação frenética e gore que a obra promete entregar aos espectadores.

Mas onde a influência do Tarantino realmente brilha é na trilha sonora. O diretor acredita que a música é o ponto de partida de qualquer cena, e em Onslaught ele leva isso ao extremo. A sacada mais genial (ou bizarra) foi fazer o vilão, Dr. Hans Kammler, ouvir versões em alemão de músicas pop famosas. É um detalhe que traz uma camada de ironia e malícia para o personagem, evitando que ele seja apenas mais um estereótipo de vilão nazista e transformando-o em alguém com um gosto musical perturbador e único.
Além dessas esquisitices, a parte sonora conta com a parceria de Matthew Pusti, que criou uma trilha pulsante misturando melodias inspiradas em John Carpenter com techno pesado e guitarras distorcidas. Para quem acompanha as Notícias de cinema e cultura pop, sabe que essa combinação é a receita perfeita para criar uma atmosfera de suspense opressivo. O Wingard já trabalhava com o Pusti desde a época de Death Note e até usou o talento dele em versões de pré-visualização de Godzilla vs. Kong, o que mostra a confiança mútua entre os dois.

É fascinante observar como o diretor consegue equilibrar esse amor pelo cinema trash com a precisão técnica. Ele não está tentando fazer um filme "cult" forçado, mas sim algo que seja divertido e impactante. A escolha de cenários limitados, como o trailer park, ajuda a criar esse sentimento de claustrofobia que potencializa a ameaça dos super-soldados. É aquele tipo de abordagem que muitas vezes é nerfada em grandes produções de Hollywood, onde tudo é tão grande e aberto que a tensão acaba se perdendo no meio de tantas explosões genéricas.
No fim das contas, Onslaught parece ser a carta de amor de Adam Wingard para tudo aquilo que torna o cinema de gênero emocionante: violência estilizada, personagens excêntricos e uma trilha que não deixa você respirar. Ele pegou a disciplina dos blockbusters e a injetou em um roteiro que parece ter sido escrito em um guardanapo de bar nos anos 70. Se o resultado final conseguir manter esse equilíbrio entre o asco e a elegância, teremos um dos filmes mais marcantes do ano.

Meu veredito é que estamos diante de um projeto com um hype justificável. Não é todo dia que vemos um diretor com acesso a orçamentos milionários decidir voltar às raízes do horror indie para experimentar com sangue neon e covers alemães. Se você curte aquela pegada de luta visceral e não se importa com premissas absurdas, Onslaught é a pedida certa. Só espero que a A24 não tente polir demais a obra, porque a beleza desse tipo de filme está justamente na sua sujeira e na sua coragem de ser estranho.
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* Trilha sonora inspirada em John Carpenter


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