Cara, a gente sabe como funciona a indústria de cinema hoje em dia: bateu o sucesso no primeiro filme, a produtora corre para fazer uma sequência que é basicamente um 'copia e cola' do original, mudando apenas o cenário para não dar muito trabalho. Mas, olha, parece que a Lionsgate e os diretores Michael e Peter Spierig decidiram não seguir esse caminho preguiçoso em Fall 2: Deadpoint. Em vez de simplesmente enfiarem mais um grupo de vítimas no topo de outra torre genérica, eles resolveram elevar a barra — literalmente — buscando algo que desse um frio na barriga genuíno para quem assiste.
Para fugir da monotonia, a produção resolveu se inspirar em um dos lugares mais aterrorizantes do planeta: a Huashan Plank Walk, na China. Para quem não conhece, aquilo é um caminho de tábuas estreitíssimas grudadas em um penhasco surreal, e ver isso no cinema é pedir para ter uma crise de vertigem. Os caras não queriam apenas que os personagens ficassem parados esperando resgate, eles queriam movimento, terreno instável e aquela sensação constante de que qualquer passo em falso é o fim da linha.

No centro dessa loucura temos a Jax e a Luce, que não estão ali apenas para gritar enquanto caem. O roteiro tenta dar um peso emocional maior para a história, já que a Jax carrega o trauma da morte de sua irmã, Shiloh, que foi a peça central do primeiro longa. Isso é um buff narrativo interessante, porque transforma a escalada física em uma metáfora para a superação do luto, tirando o filme daquela zona de 'apenas um filme de sobrevivência' e dando mais substância aos personagens.
O que mais me chamou a atenção aqui foi a insistência dos diretores em fugir do CGI barato e dos estúdios fechados. Enquanto a maioria das produções hoje em dia resolve tudo no green screen, os irmãos Spierig montaram um cenário de penhasco real em uma pedreira. Eles colocaram as atrizes em tábuas físicas, sob sol escaldante, com máquinas de vento e chuva castigando a galera. É aquele tipo de dedicação que a gente raramente vê e que faz toda a diferença no resultado final.

Engraçado que até a própria equipe de produção ficou confusa, perguntando por que diabos eles estavam tornando tudo tão difícil. Mas a real é que o desconforto do ator transparece na tela. Quando você vê a Jax tentando se equilibrar numa prancha estreita enquanto o vento bate na cara e o sol queima, você não está vendo apenas uma atuação, você está vendo uma reação visceral. Isso tira qualquer chance de o filme parecer um produto artificial e entrega a experiência crua que o público de Notícias de suspense gosta.
Para deixar tudo ainda mais imersivo, a direção usou rigs de câmera presos aos próprios atores, simulando aquela perspectiva de POV que a gente vê em vídeos de GoPro ou no TikTok. Isso é genial porque a gente já está acostumado a consumir esse tipo de conteúdo amador e, quando vemos isso em um filme com qualidade de cinema, a sensação de vertigem é multiplicada por dez. Não é um filme de super-herói onde tudo é possível; é sobre o que um ser humano comum consegue aguentar antes de surtar.

Outro ponto importante é que Fall 2: Deadpoint não é um ponto final, mas sim a ponte para algo maior. O diretor Scott Mann planejou isso como uma trilogia, e os irmãos Spierig já consultaram sobre o terceiro filme. É raro ver um projeto de terror/suspense com uma visão de longo prazo tão clara, o que me deixa com a expectativa alta para ver onde essa saga vai parar, desde que não tentem 'nerfar' a tensão nos próximos capítulos.
No fim das contas, a aposta de trocar a torre por uma montanha real foi a jogada certa para evitar que a franquia flopasse por repetitividade. O filme entrega o que promete: agonia, suor e aquele sentimento de 'eu não conseguiria fazer isso nem por um milhão de reais'. É um exemplo de como fazer uma sequência respeitando o material original, mas expandindo os horizontes e arriscando na produção física.

Meu veredito é que, se você curtiu o primeiro, esse aqui é obrigatório. A imersão proporcionada pelo cenário real e a pegada de POV elevam o nível da experiência. Agora é só torcer para que a conclusão dessa trilogia mantenha esse mesmo nível de ousadia e não caia na armadilha de virar um filme de ação genérico. Vale cada centavo do ingresso para sentir aquele frio na espinha sem sair da poltrona.




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