Se você é das antigas e lembra da época em que a gente jogava em celulares de flip ou nos primórdios do Android, sabe que o cenário de games mobile era um deserto de jogos genéricos. Mas aí surgiu a Gamevil e soltou o Zenonia 1 lá em 2008, provando para todo mundo que dava para ter uma experiência de console na palma da mão sem precisar de um IP famoso para carregar o jogo nas costas. Esse título foi um marco que mostrou que o hardware limitado da época não era barreira para um RPG denso e bem estruturado.
Agora, a notícia que deixou a galera no hype é que esse clássico finalmente desembarcou na Steam para PC. Não é apenas um emulador mal feito, mas um port que adapta a experiência para quem prefere teclado e controle, eliminando aquele D-pad virtual irritante que a gente tinha que aguentar nos smartphones. Para quem curte Notícias de resgates retro, essa é a oportunidade perfeita de experimentar um jogo que influenciou muita coisa no gênero de action RPG mobile.

Visualmente, o jogo é um deleite para quem ama a estética 2D. A pegada lembra demais os primeiros Zelda, especificamente o lendário A Link to the Past, com aquela visão aérea e exploração de mapas que te faz querer descobrir cada centímetro do cenário. O protagonista, Regret, é basicamente um tributo ao design inicial do Cloud Strife, com aquele cabelo espetado loiro e uma espadona massiva que faz qualquer inimigo tremer na base. A história segue a linha clássica: Regret tem 17 anos e está em uma missão pessoal para descobrir a verdade sobre a morte de seu pai adotivo.
No quesito gameplay, a Gamevil não economizou na profundidade. Ao começar a jornada, você precisa escolher entre três classes distintas: Paladin, Warrior ou Assassin. Cada uma delas possui sua própria árvore de habilidades completa, permitindo que você molde seu estilo de luta conforme avança. E não para por aí, o jogo oferece centenas de armas para equipar, o que garante que você passe um bom tempo grindando para conseguir aquele equipamento que não vai dar nerf no seu dano final.

Um dos pontos que realmente faz o Zenonia 1 se destacar dos RPGs mobile genéricos de hoje é o seu sistema dinâmico de alinhamento. Suas escolhas durante os diálogos e a forma como você lida com as quests de NPCs determinam se o Regret vai se tornar um herói bondoso ou um anti-herói voltado para o mal. É aquele tipo de detalhe que adiciona camadas de roleplay e faz com que a experiência não seja apenas apertar botão para matar monstro, mas sim moldar a personalidade do personagem.
Além da moralidade, o jogo traz mecânicas de sobrevivência que podem ser bem chatas se você não prestar atenção. Você precisa garantir que o Regret esteja bem alimentado, caso contrário, seu SP (Stamina Points) começa a despencar, prejudicando seu desempenho em combate. Outro detalhe é o peso da armadura: se você equipar peças pesadas demais tentando ficar tanque, sua velocidade de movimento vai pro ralo, tornando as lutas contra chefes bem mais complicadas. É um equilíbrio delicado que exige estratégia real.

Para quem está planejando jogar agora no PC, preparem-se para investir tempo. Uma campanha completa de Zenonia 1 pode levar de 15 a 30 horas, dependendo de quanto você gosta de explorar e fazer side quests. O combate em tempo real é fluido, e os diálogos são surpreendentemente inteligentes para um jogo que nasceu em celulares de 20 anos atrás. Não é aquele tipo de jogo que você termina em duas horas e esquece; ele tem substância.
Meu veredito final é que essa chegada na Steam é um resgate necessário. Enquanto muitos jogos modernos de mobile são apenas máquinas de cassino disfarçadas de RPG com microtransações agressivas, Zenonia 1 entrega a experiência pura de progressão e descoberta. Se você sente saudade de quando os jogos eram focados em diversão e desafio, e não em extrair cada centavo do seu bolso, esse port é obrigatório na sua biblioteca. É nostalgia pura com a conveniência do hardware moderno.

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