Cara, quem viveu a era do PS1 sabe o peso que o primeiro Tomb Raider teve na cultura gamer. Estamos falando de um marco que celebra 30 anos agora, e a nostalgia bate forte quando lembramos daquela jogabilidade travada, mas recompensadora. É por isso que, quando surgiu a notícia de Tomb Raider: Legacy of Atlantis, a comunidade inteira entrou num hype absurdo, esperando que a Crystal Dynamics finalmente acertasse a mão na hora de resgatar a essência da arqueóloga mais famosa dos games.
Mas a real é que, depois de conferirmos o que foi mostrado na Gamescom, o sentimento é agridoce. O projeto, que está nas mãos da Flying Wild Hog sob supervisão da Crystal Dynamics e da Amazon, parece estar sofrendo daquela síndrome de 'querer agradar todo mundo'. O resultado é que o jogo ainda nem saiu e já passa a sensação de ser uma relíquia, mas do jeito errado, tentando enfiar tendências de design que já estão saturadas no mercado.

O gameplay demonstrado focou na região da Grécia, especificamente na famosa Sala de Damocles. Visualmente, o bagulho está lindo. A iluminação com feixes de luz cortando a escuridão e a vegetação exuberna crescendo entre as pedras antigas dão um caldo visual incrível, especialmente se rodar em 4K com ray tracing. A verticalidade da câmara, que era o grande desafio do original, foi mantida, exigindo que a gente navegue por passarelas precárias para alcançar as portas nos diferentes níveis da estrutura.
Outro ponto positivo que merece destaque é a nova voz da Lara Croft, interpretada por Alix Wilton Regan. Ela consegue trazer de volta aquele tom irônico e aventureiro que a personagem tinha antigamente, deixando para trás aquela vibe de sofrimento eterno e miséria humana que a trilogia reboot da Crystal Dynamics insistiu em empurrar goela abaixo dos jogadores. É um alívio ver a Lara sendo, enfim, uma aventureira confiante novamente enquanto explora as ruínas.
O problema começa quando a gente olha para as "novidades" de gameplay. A equipe decidiu enfiar elementos de progressão estilo RPG que simplesmente não combinam com a proposta de um remake clássico. Estamos falando de árvores de habilidades, crafting e aquela chatice de coletar lixo espalhado pelo cenário para criar itens. Ver a Lara pegando nabos no meio de uma tumba milenar para cozinhar um ensopado que dá bônus de status é, no mínimo, bizarro e quebra totalmente a imersão.
Para piorar, existe agora um scanner que a Lara usa para analisar o ambiente e receber dicas de como prosseguir. Para quem curte o desafio de decifrar puzzles na raça, isso é um nerf total na experiência. O scanner basicamente entrega a resposta do enigma, tirando aquela sensação de descoberta e intelecto que tornava os jogos de aventura antigos tão especiais. É aquele tipo de 'ajudinha' moderna que acaba tornando o jogo mastigado demais para o jogador.

Além disso, houve menções ao uso de gen-AI em alguns processos de desenvolvimento, o que já liga um alerta vermelho para a gente aqui nas Notícias. Quando você soma a IA com sistemas de crafting genéricos e scanners de missão, o jogo começa a parecer um produto montado por algoritmos para preencher checklists de 'o que um jogo moderno deve ter', em vez de ser uma visão artística coerente. É triste ver um clássico ser tratado como se fosse um jogo de mundo aberto genérico de PS5 ou Xbox Series X.
No fim das contas, Tomb Raider: Legacy of Atlantis parece estar em uma encruzilhada perigosa. De um lado, tem a beleza visual e a fidelidade ao layout dos mapas originais, que é música para os ouvidos dos fãs. Do outro, tem esse amontoado de mecânicas datadas de 2015 que não acrescentam nada e só servem para poluir a interface e a jogabilidade. Se a ideia era 'reignitar' a experiência, eles podem acabar apagando a chama da curiosidade do jogador.

Espero sinceramente que, até o lançamento oficial no PC e consoles, a equipe faça uma limpeza nessas mecânicas de RPG e foque no que realmente importa: a exploração e a resolução de enigmas. A Lara Croft não precisa de um livro de receitas de ensopado para ser épica; ela só precisa de um mapa, suas pistolas e um ambiente que desafie a inteligência do jogador. Caso contrário, teremos mais um remake que, apesar de lindo, é vazio por dentro.
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* Here's a look at Tomb Raider: Legacy of Atlantis.Watch on YouTube



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