Cara, se você é fã de RPG de mesa ou daqueles jogos densos que te fazem ler manual, precisa ficar de olho no Starfinder: Afterlight. O projeto já começou com o pé direito no Kickstarter, arrecadando a bagatela de cerca de R$ 5,28 milhões, um valor absurdo considerando que a meta inicial era bem mais humilde. Isso mostra que a galera está sedenta por um bom CRPG de ficção científica, e a Epictellers Entertainment sabe disso, jogando todas as fichas para transformar esse sistema de mesa em algo épico no PC.
Para dar aquele peso extra no hype, os caras não economizaram no elenco de dublagem, o que é um ponto altíssimo. Imagina só ter a narração do ator que deu vida ao Arthur Morgan em Red Dead Redemption conduzindo a história? E não para por aí: o Neil Newbon, que detonou como Astarion em Baldur's Gate 3, está dublando um padre inseto interestelar. É o tipo de escolha bizarra e charmosa que a gente ama em jogos de RPG, e que já coloca o título em outro patamar de produção.

Quem curte as regras de Pathfinder 2e vai se sentir em casa, já que o Starfinder 2e, que serve de base para o jogo, compartilha boa parte da mesma mecânica. Isso é ótimo porque traz uma profundidade tática que a gente raramente vê em jogos mais casuais, permitindo builds complexas e estratégias que realmente importam no combate. Nós aqui da nossa redação de Notícias acompanhamos a evolução do gênero e sabemos que, quando a base de regras é sólida, o jogo tem tudo para não flopar.
Recentemente, a demo oficial foi liberada no Steam e, sinceramente, a experiência é um misto de "meu Deus, isso vai ser incrível" com "está precisando de um polimento urgente". Comparando com o que foi testado em março, houve uma melhora visível, mas o jogo ainda está bem bruto. É aquela fase clássica de desenvolvimento onde a fundação está lá, mas as paredes ainda estão sem reboco.

Falando em bruto, a performance técnica ainda é um problema crítico. O jogo roda mal, não tem opções de configurações gráficas e as animações de combate são bem clunky, deixando a jogabilidade com a sensação de que algo está travado. Para quem espera 60fps constantes e fluidez total, a demo atual é um balde de água fria, mas é esperado que isso seja resolvido até o lançamento final.
Outro ponto que pode irritar os puristas de CRPG é a falta de criação de personagem customizado na demo. Você fica limitado a três personagens pré-definidos, o que tira boa parte da graça de montar sua própria build do zero. Em um gênero onde a identidade do herói é tudo, essa limitação é um nerf considerável na experiência inicial, embora a promessa seja de que a versão final entregue a liberdade total que a gente espera no PC.

O design dos níveis na demo também deixa a desejar, sendo basicamente uma série de corredores lineares conectados por diálogos. Não tente comparar a exploração atual com a liberdade de Baldur's Gate 3, porque não chega nem perto. Falta espaço para vagar, NPCs com conversas realmente profundas e aquelas side quests que fazem a gente esquecer da missão principal, deixando o ritmo um pouco engessado.
Por outro lado, a narrativa começa com o pé no acelerador. A intro é lindamente animada e já joga você no caos, com sua nave sendo atacada pela temida Corpse Fleet. A cena da capitã Khali enfrentando o líder inimigo e te deixando para defender as cápsulas de escape é cinematográfica e define bem o tom de aventura espacial. O plot dá um salto temporal de cinco anos após você cair no planeta Akiton, o que é um gancho excelente para desenvolver o mistério do mundo.

É nesse ponto que entra o padre inseto do Neil Newbon, um personagem efusivo e peppy que traz uma leveza necessária para a trama. Ver a raça Shirren representada com tanto carisma prova que a Epictellers Entertainment tem visão artística. A interação com esses personagens é o que mantém o jogador interessado mesmo quando a parte técnica do jogo resolve dar problema.
No fim das contas, saio da demo com um otimismo cauteloso. É óbvio que a equipe sabe o que quer fazer e que o dinheiro do Kickstarter está sendo investido em talentos de voz e arte de alta qualidade. O problema é que a engenharia do jogo ainda não alcançou o nível da narrativa, e isso é algo que pode ser corrigido com tempo e testes intensos.

Se a Epictellers Entertainment conseguir polir as animações, otimizar a performance e entregar a profundidade de customização prometida, Starfinder: Afterlight tem potencial para ser um marco nos RPGs espaciais. Por enquanto, é um diamante bruto que brilha nos diálogos, mas que ainda corta a mão de quem tenta jogar sem paciência.
A real é que o gênero de CRPG está vivendo uma era de ouro, e qualquer jogo que tente entrar nesse ringue agora precisa de um nível de polimento absurdo para não ser engolido. Torço para que esse projeto não flopou no caminho e que a versão final seja tão grandiosa quanto o elenco que eles contrataram.



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