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Sangue, Gosma e Ratos: Os Bastidores Nojentos do Novo Filme de Resident Evil

Cara, se você acha que já viu de tudo em termos de gore e bizarrice nos jogos da Capcom, senta aí que a conversa agora é outra. O novo filme de Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, não veio para brincadeira e decidiu entrar a fundo no que há de mais nojento no cinema de horror. A gente aqui da nossa redação ficou sabendo que a produção não economizou no 'estômago forte', trocando o CGI genérico por efeitos práticos que fariam qualquer pessoa com náuseas desmaiar em cinco segundos.

Imagine só a cena: um set gigantesco em Praga, onde o ar é uma mistura tóxica de cheiro de látex de props imensos e o odor metálico de soldadores construindo a cidade de Raccoon City. Para completar esse banquete sensorial, tinha aquele cheiro adocicado de sangue falso, que era jogado no chão com tanta abundância que grudava na bota de quem passava. É esse nível de obsessão com o detalhe que a gente espera de um filme de Survival Horror de verdade, longe daquela coisa limpinha demais que vimos em algumas adaptações passadas.

Resident Evil - Imagem Oficial

Uma das sequências que mais chama a atenção é a do esgoto, onde o protagonista Bryan, interpretado por Austin Abrams, tenta sobreviver a um pesadelo claustrofóbico. O ápice do nojo acontece quando ele encontra um homem pálido e colossal, que parece inofensivo até que sua barriga simplesmente explode, liberando uma horda de ratos ensanguentados. Para criar esse efeito, a equipe de Notícias de bastidores revelou que usaram fibras de vidro para simular a sensação de caminhar em líquido e luzes de celulares para dar aquele clima de tensão absurda.

O bicho em questão, apelidado de "fat man", foi a maior peça de efeito prático criada pela Legacy Effects para o longa. Em vez de modelagem digital, a escultura foi feita à mão para garantir texturas orgânicas, incluindo detalhes grotescos como unhas dos pés crescidas. Para fazer a barriga do monstro se mexer e "respirar" antes da explosão de ratos, eles instalaram sistemas pneumáticos que inflavam bexigas de ar, criando aquele movimento visceral e perturbador que deixa qualquer fã de horror arrepiado.

Resident Evil - Imagem Oficial

Mas a loucura não para no esgoto. A cena do elevador que leva ao laboratório da Umbrella Corporation no 24º andar do hospital geral de Raccoon City foi um desafio de engenharia digno de Minecraft na vida real. A produção construiu um elevador funcional de cinco andares usando toneladas de aço e cinco toneladas de concreto real. O diretor Zach Cregger chegou a questionar por que não fizeram tudo em um fundo azul, mas quando viu o resultado da câmera suspensa por cabos rastreando o Bryan, percebeu que o realismo era o caminho certo.

O terror escala quando surge a criatura chamada "The Puker", um monstro que vomita ácido e destrói o elevador. Para fazer essa gosma, a equipe usou metilcelulose, a mesma mistura de água e polpa de papel usada nos filmes do Alien. A quantidade de sujeira era absurda: cada take exigia cerca de 16 galões de substância viscosa sendo disparada por tubos presos ao corpo do ator. Era tanta gosma que eles precisavam de tanques gigantes embaixo do fosso do elevador, mas mesmo assim, o bagulho espalhava por tudo e a limpeza demorava a noite inteira.

Resident Evil - Imagem Oficial

Para dar aquele toque final de destruição, a produção usou a mesma técnica do filme Alien: Romulus de 2024, substituindo partes do elevador por esculturas que simulavam o metal derretido enquanto o ácido agia. A equipe de VFX entrava apenas para adicionar as bordas agitada e o chiado do ácido, mantendo a base física. Esse mix de VFX com efeitos práticos é o que separa um filme que "flopou" visualmente de uma obra que realmente passa a sensação de perigo e nojo para o espectador.

O compromisso da Legacy Effects em evitar o excesso de digital mostra que ainda existe um hype enorme por aquele cinema tátil, onde você quase consegue sentir o cheiro do sangue e da gosma através da tela. Ver que investiram tempo em esculpir unhas de monstros e bombear galões de slime prova que eles respeitam a essência de Resident Evil. Se você joga no PlayStation ou no PC, sabe que a atmosfera é tudo, e levar isso para o cinema com esse nível de dedicação é algo raro hoje em dia.

Resident Evil - Imagem Oficial

No fim das contas, o que vemos aqui é uma tentativa corajosa de resgatar a essência do horror visceral. Enquanto muitos estúdios tentam economizar usando cenários virtuais que parecem videogames de dez anos atrás, Zach Cregger preferiu se sujar de sangue falso e metilcelulose. Essa abordagem orgânica traz uma camada de desconforto que o digital simplesmente não consegue replicar, especialmente em cenas onde o corpo humano é deformado ou destruído.

Meu veredito é que, se o resto do filme mantiver essa energia de "nojo absoluto" e respeito aos efeitos práticos, temos a chance de ter a melhor adaptação de Resident Evil já feita. É refrescante ver uma produção que não tem medo de ser grotesca e que entende que o medo vem, muitas vezes, daquela sensação palpável de que algo está errado e é visceralmente repugnante. Agora é só esperar para ver se a história acompanha essa qualidade técnica absurda.

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