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Por que Mario Bros de 40 anos ainda é mais divertido que muito jogo atual

Saca só, quando a gente fala de Mario hoje em dia, a cabeça de todo mundo vai direto para as aventuras épicas do Super Mario Bros. de 1985, com aquele mapa gigante e a busca pela princesa. Mas a real é que, antes de sair batendo em tartarugas em um reino de fantasia, o encanador mais famoso do mundo já estava na luta enfrentando invasões vindas do esgoto em um jogo muito mais contido. É bizarro pensar que um título com quatro décadas nas costas consegue ser, surpreendentemente, mais divertido do que muita coisa que a gente vê saindo hoje com ray tracing e orçamentos milionários.

A gente aqui da Gamer Elite estava revisitando esse clássico e a conclusão é simples: o design desse jogo é puro suco de precisão. Não tem enrolação, não tem tutorial de duas horas e nem microtransações tentando te sugar. Você larga no mapa e já sabe exatamente o que precisa fazer para sobreviver, o que prova que a simplicidade, quando bem executada, nunca flopou e nunca vai flopar, independentemente da geração de hardware que a gente esteja usando.

Mario Bros. - Imagem Oficial

O Mario Bros. chegou nos arcades em julho de 1983, e foi aí que o personagem, que já tinha aparecido em Donkey Kong, finalmente ganhou um nome oficial. Mas a grande jogada da Nintendo foi apresentar o Luigi, o irmão do protagonista. Essa adição não foi por acaso ou apenas para criar um lore familiar; foi puro capitalismo arcade. Ter dois jogadores permitia que as máquinas arrecadassem o dobro de fichas, já que a galera podia jogar em coop, provando que o Luigi deve a sua existência ao desejo da empresa de lucrar mais nos fliperamas da época.

Se você olhar a jogabilidade, ela lembra bastante aquele clássico Joust de 1982. O objetivo é basicamente correr e pular por plataformas, o que parece bobo, mas a tensão sobe rápido quando você percebe que qualquer encosto em um bicho te tira uma vida na hora. A única saída é dar aquele bote por baixo do inimigo para deixá-lo atordoado, transformando o jogo em uma dança frenética de timing e reflexos que mantém qualquer um grudado na tela.

Mario Bros. - Imagem Oficial

No começo, você encara as tartarugas, que são lentas e fáceis de derrubar com um hit. Mas logo a coisa aperta e surgem os caranguejos, que exigem dois golpes, e as moscas, que são um verdadeiro pesadelo. As moscas dão saltos gigantes e são imunes enquanto estão no ar, forçando o jogador a ter a coragem de passar por baixo delas no pico do salto, um risco alto que separa os noobs dos prós.

Para deixar tudo mais caótico, a Nintendo jogou fireballs que cruzam a tela de forma imprevisível e blocos de gelo que transformam as plataformas em pistas de patinação. Se você não destruir o bloco de gelo rápido, a fase inteira vira um sabonete, dificultando absurdamente a precisão dos pulos. É aquele tipo de dificuldade honesta que não te deixa com raiva, mas te faz querer tentar mais uma vez para dominar a mecânica.

Mario Bros. - Imagem Oficial

O sistema de pontuação aqui é onde o jogo realmente brilha para quem busca o high score. Você consegue criar combos ao atordoar vários inimigos próximos, subindo a pontuação de 800 para 1600 pontos rapidamente. Além disso, existem as fases bônus com moedas flutuantes que exigem um timing absurdo; depois de algumas etapas, é quase impossível pegar tudo sozinho, tornando a cooperação com o segundo jogador essencial para maximizar a pontuação.

Antes mesmo do lançamento do NES, a Nintendo permitiu que outros devs portassem o jogo, e ele acabou chegando em plataformas variadas, inclusive no Apple IIe. A versão de NES chegou na América do Norte em 1986, desenvolvida pela Intelligent Systems, entregando um valor absurdo para a época. Era a diversão pura e gratuita de jogar com amigos sem precisar de conexão de internet ou de se preocupar se o servidor ia cair.

Mario Bros. - Imagem Oficial

Hoje, quem quiser sentir esse gostinho de nostalgia sem ter que garimpar um arcade antigo pode encontrar o jogo no Nintendo Switch Online da Nintendo. É a prova viva de que a fundação do que conhecemos como plataforma moderna nasceu aqui. Ver o Mario e o Luigi lutando contra pragas de esgoto é lembrar que a diversão não depende de gráficos em 4K, mas sim de um loop de gameplay que seja satisfatório e desafiador.

No fim das contas, Mario Bros. é um lembrete de que menos é mais. Enquanto muitos jogos modernos se perdem em sistemas complexos e mundos abertos vazios, esse clássico foca no que importa: a precisão do comando e a adrenalina da sobrevivência. É um jogo que não envelheceu porque não tentou ser moderno na época; ele apenas tentou ser divertido, e nisso ele acertou em cheio.

Meu veredito é que qualquer gamer, mesmo quem começou jogando no PS5 ou no Xbox Series X, deveria tirar um tempo para jogar essa relíquia. É uma aula de game design que mostra que a essência do videogame é a superação de desafios simples, mas intensos. Se você ainda não jogou, está perdendo a chance de entender onde tudo começou.

Mario Bros.
Site Oficial

Mario Bros.

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