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O novo filme solo de Clayface no universo DC decepciona e vira um completo desastre

Quem diria que a nova investida da DC Studios no mundo do horror corporal resultaria em um projeto tão apático e sem sal? A promessa era alta quando anunciaram um longa focado na tragédia de Matt Hagen, mas o que vemos nas telas é um verdadeiro flop que deixa qualquer fã de quadrinhos coçando a cabeça em sinal de total confusão. Dirigido por James Watkins e baseado em uma história de Mike Flanagan, o longa tinha tudo no papel para funcionar, mas tropeça na própria lore ao esquecer o principal: o espectador precisa se importar com quem está na tela antes que a desgraça aconteça.

A trama arranca em um ritmo acelerado nos primeiros 15 ou 20 minutos, quase como se os cineastas estivessem pedindo desculpas por gastarem tempo apresentando o protagonista. Conhecemos Matt Hagen, interpretado por Tom Rhys Harries, um ator em ascensão que sai das ruas difíceis de Gotham rumo ao estrelato. O problema é que essa introdução relâmpago impede qualquer conexão real. Quando ele se envolve com a esposa de um chefão do crime e acaba com o rosto brutalmente retalhado a facadas, a tragédia soa vazia porque mal tivemos tempo de entender quem diabos aquele cara realmente era.

Clayface - Captura Oficial

A partir daí, a vida de Matt desmorona com a velocidade de um servidor caindo no endgame. Sua agência o abandona, o advogado rouba o seu dinheiro e ele é forçado a voltar para um apartamento decadente. É nesse momento de desespero que surge a doutora Caitlyn Corr, vivida por Naomi Ackie, oferecendo um tratamento experimental à base de nanocélulas. Inicialmente, o procedimento parece um buff milagroso que restaura sua beleza, mas a tecnologia logo sofre um colapso, transformando-o em uma aberração derretida com o poder de mudar de forma.

O grande calcanhar de Aquiles do filme é que Matt Hagen transita entre ser um pobrezinho sofredor e um completo idiota arrogante, falhando em conquistar a simpatia ou o desprezo divertido do público. Não dá para torcer por um protagonista tão raso e sem carisma. Para piorar a situação, o elenco de apoio não ajuda a salvar a gameplay narrativa. O chefão do crime Markos Szabo, interpretado por David Dencik, parece miúdo demais para o cargo, passando longe do peso que nomes como Tom Wilkinson ou John Turturro trouxeram para o submundo de Gotham em produções anteriores.

Clayface - Captura Oficial

Lançar uma obra solo focada em um vilão secundário antes mesmo de estabelecer o Batman oficial dentro da nova continuidade cinematográfica parece um tiro no pé colossal. A estratégia lembra os tropeços da Warner Bros. em tentar construir universos compartilhados na base da pressa, atropelando etapas fundamentais que dão sustentação a franquias de sucesso.

No fim das contas, a experiência de assistir a essa tragédia cinematográfica é marcada pelo tédio e pela frustração de ver um conceito rico ser jogado no lixo. A falta de direção firme e de um roteiro corajoso transformou o que poderia ser um clássico cult instantâneo em mais um tropeço memorável para a conta da Warner Bros. Pictures.

Clayface - Captura Oficial

A comunidade merece produções à altura do peso desses personagens icônicos, e apostar em projetos avulsos sem o devido polimento criativo só afasta ainda mais os fãs dos cinemas. Ainda não se sabe se a alta cúpula vai aprender com os erros e ajustar a rota antes que o hype pelo novo universo cinematográfico morra de vez.

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