eSports

O fracasso de 2XKO e o desafio impossível de competir no mercado atual

Quem acompanha a indústria dos games de perto sabe que a Riot Games raramente dá um passo em falso, mas o recente encerramento de 2XKO deixou um gosto amargo na boca de muita gente. Depois de anos de hype, promessas de um sistema de tag inovador e o peso da franquia League of Legends, o projeto simplesmente não conseguiu a tração necessária para se manter no competitivo mercado dos jogos de luta. É o tipo de situação que nos faz questionar até onde vai a ambição de um estúdio quando ele decide entrar em um terreno já dominado por gigantes como Street Fighter ou Tekken.

Marc Merrill, cofundador da gigante dos eSports, abriu o jogo recentemente no PAX West sobre o que aconteceu nos bastidores. Para ele, o título não foi um erro de percurso, mas sim a prova de que lançar um jogo gratuito, do modelo live service, é uma tarefa hercúlea. Em um cenário onde mais de 20.000 jogos chegam à Steam anualmente, a disputa não é mais apenas contra outros títulos do mesmo gênero, mas contra a atenção limitada de um público bombardeado por conteúdo infinito no YouTube e redes sociais.

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O grande problema, na minha humilde visão de quem vive o cenário competitivo há 15 anos, foi tentar abocanhar um nicho dentro de um nicho. O jogo, que trazia personagens como Ekko ou Ahri, entregou uma estética incrível e mecânicas de luta ousadas, mas falhou em converter a curiosidade inicial em uma base de jogadores fiel e pagante. Merrill até mencionou que o modelo de monetização deveria ser um trunfo, mas a verdade é que, hoje em dia, um game precisa ser absolutamente extraordinário apenas para não ser ignorado no meio da multidão.

Não podemos esquecer que a equipe por trás do projeto, liderada pelos irmãos Tom e Tony Cannon, tinha o apoio total da comunidade do FGC (Fighting Game Community). Eles queriam entregar algo especial, mas nem sempre a intenção conta mais do que a execução ou o timing do mercado. Em agosto, a decisão de encerrar o desenvolvimento futuro foi inevitável, resultando em reembolsos para quem já tinha investido dinheiro real em itens cosméticos, algo que, convenhamos, é o mínimo que uma empresa do tamanho da Riot Games deve fazer.

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A frustração dos fãs é real, especialmente porque o design dos personagens, como vimos com a icônica Ahri, era muito polido. No entanto, o mercado de PC e consoles está saturado de experiências que exigem centenas de horas de dedicação. Quando você coloca um jogo na balança e percebe que ele vai exigir um compromisso de tempo que o jogador já entrega para um League of Legends ou um Valorant, a conta não fecha. A competição é global e impiedosa.

O lado positivo disso tudo é que a Riot Games não parece estar com medo de continuar arriscando. Merrill deixou claro que um tropeço não vai impedir o estúdio de continuar explorando novos horizontes e, talvez, até finalizando aquele misterioso projeto de MMO que todo mundo espera há anos. A lição de 2XKO é dura, mas necessária: criatividade não basta sem uma estratégia de retenção que consiga lutar contra a "economia da atenção" que domina nossa era digital.

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Para nós, que acompanhamos esse ecossistema, fica o alerta de que até os gigantes podem cair. O fechamento não é um atestado de incompetência, mas um lembrete cruel de que o sucesso no mundo dos jogos, seja nos eSports ou em qualquer outra categoria, é uma combinação volátil de design, marketing e uma pitada de sorte que muitas vezes não conseguimos controlar. O importante é que os reembolsos foram feitos e os jogadores que acreditaram no projeto não saíram de mãos vazias.

No fim do dia, a indústria continua girando e o que nos resta é ver qual será a próxima grande aposta da desenvolvedora. A empresa ainda tem um portfólio vasto e uma marca forte, e esse revés provavelmente servirá de aprendizado para que os próximos lançamentos sejam mais assertivos. O mercado de luta continua vivo e pulsante, mesmo sem essa tentativa específica de trazer o universo de Runeterra para os ringues.

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Agora, ainda não se sabe se o estúdio aprenderá a focar menos na escala massiva e mais na sustentabilidade a longo prazo de suas apostas menores. O tempo dirá se o próximo movimento será um acerto ou mais um capítulo de aprendizado forçado para os executivos.

Links Úteis

* Twitter da Mollie Taylor * Vídeo sobre o PAX West
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