Se você acha que já viu de tudo no mundo dos crossovers absurdos, segura essa. A comunidade de modders decidiu que o mundo precisava, sim, de mais cultura pop nos jogos de turno, e trouxe de volta a Ariana Grande para o novo Final Fantasy Resonance. É aquele tipo de situação que deixa a gente pensando se a Square Enix perdeu a mão ou se a gente que não consegue mais acompanhar a loucura da indústria, mas o fato é que a diva está de volta e causando aquele hype desnecessário e maravilhoso ao mesmo tempo.
Para quem está por fora, Final Fantasy Resonance não é simplesmente um remake preguiçoso, mas sim uma reconstrução quase irreconhecível do antigo Final Fantasy Brave Exvius, aquele jogo mobile que, convenhamos, flopou em vários aspectos e acabou sendo encerrado. A ideia aqui é pegar a espinha dorsal daquela história e dar corpo ao personagem, transformando o que era um jogo mobile magro em algo com mais substância para as plataformas modernas. É quase como se tivessem pego os escombros de um projeto antigo para construir um castelo novo, mas mantendo as fundações que alguns fãs ainda amavam.

Uma das mecânicas mais interessantes desse título são as "Visions", que basicamente permitem que você invoque personagens lendários de toda a história da franquia para te dar aquele buff necessário nas batalhas. Você consegue a ajuda de ícones como Cloud, Lightning e Cecil, o que já é animal por si só. Só que a galera do modding achou que a lista da Square Enix estava curta demais e resolveu resolver isso do jeito que eles fazem de melhor: hackeando a demo do jogo para injetar todo mundo que ficou de fora.
O mod chamado FFR Vision Studio é uma verdadeira monstruosidade técnica, adicionando quase 1.300 unidades do antigo Final Fantasy Brave Exvius dentro da demo de Final Fantasy Resonance. Isso significa que agora você pode ter convidados inusitados lutando ao seu lado, incluindo o Sora de Kingdom Hearts e a 2B de NieR: Automata. É aquele tipo de conteúdo que transforma o jogo em um verdadeiro museu de crossovers, onde a lógica narrativa é jogada pela janela em prol da diversão pura e do caos visual.

Agora, vamos falar do elefante na sala: a Ariana Grande e a Katy Perry. Anos atrás, o Final Fantasy Brave Exvius foi massacrado por colocar essas divas pop no jogo, e muita gente achou aquilo a coisa mais cafona da história dos RPGs. Mas, como acontece com tudo na internet, o tempo passou e a galera começou a abraçar o lado "camp" e absurdo dessas colaborações. O que era motivo de piada virou nostalgia para quem gosta de ver a franquia Final Fantasy saindo da zona de conforto e abraçando o ridículo.
O produtor do jogo, Keisuke Nakashima, tentou dar um corte nessa história em entrevista ao Kotaku, afirmando categoricamente que a Ariana Grande não combinaria com a "vibe" que eles criaram para Final Fantasy Resonance. Pois é, o homem tentou, mas ele esqueceu que modder não aceita "não" como resposta. Enquanto a empresa quer manter a pose de seriedade e elegância, a comunidade quer ver a diva pop detonando monstros em turnos, e essa briga de egos é o que torna a cena de mods tão viva e necessária.

E a coisa não para por aí, porque os desenvolvedores do mod já postaram um roadmap indicando que ainda tem muito trabalho pela frente. Eles estão focados em melhorar as animações dos personagens para que não pareçam bonecos de posto e planejam criar um dicionário de habilidades para as unidades do Brave Exvius. Tem até a possibilidade de criarem missões secundárias exclusivas para liberar certas Visions, o que basicamente transforma o mod em uma expansão gratuita e não oficial feita por fãs apaixonados.
O jogo está previsto para chegar oficialmente no próximo mês para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC, PS4, PS5, Xbox One e Xbox Series X/S. Para quem joga no PC via Steam, a vida é muito mais fácil, já que a instalação desses mods costuma ser bem mais simples. É impressionante como a versatilidade das plataformas modernas permite que a comunidade respire e dê sobrevida a ideias que a própria produtora decidiu descartar por medo de não ser "séria" o suficiente.

Olhando para as últimas Notícias da indústria, a gente percebe que existe esse abismo entre a visão corporativa da Square Enix e o que o jogador realmente acha engraçado ou interessante. Tentar "limpar" a imagem de um jogo removendo elementos excêntricos pode até atrair a crítica especializada, mas é a esquisitice que cria memórias afetivas na comunidade. Se o jogo for polido demais e sem alma, corre o risco de ser apenas mais um RPG genérico na prateleira.
No fim das contas, esse movimento dos modders é um lembrete de que o jogo pertence a quem joga. Ver a Ariana Grande de volta ao combate, mesmo que via mod, é uma vitória da zoeira sobre o marketing engessado. Eu, particularmente, acho que um pouco de caos faz bem para qualquer franquia que leva a si mesma a sério demais, e mal posso esperar para ver qual será a próxima loucura que a comunidade vai injetar nesse título.

Meu veredito é simples: a Square Enix que lute. Se a comunidade quer a diva pop lutando contra demônios em um mundo de fantasia, quem são eles para impedir? Espero que o lançamento oficial seja sólido, mas já sabemos que a versão definitiva do jogo será aquela com todos os mods instalados e a trilha sonora da Ariana Grande tocando no fundo enquanto a gente limpa o mapa. Agora é só contar os dias para o lançamento e ver se o jogo base consegue segurar o hype ou se vai precisar de um choque de realidade vindo dos mods para não se tornar irrelevante em poucas semanas.



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