Sabe aquele tipo de filme que surge do absoluto nada e vira o assunto do momento por ser bizarramente original? Pois é, estamos falando de It Ends, a nova aposta de horror que está mexendo com a cabeça da galera. O longa não tenta ser apenas mais um susto barato, mas entrar a fundo no conceito de liminal spaces (espaços liminares), criando aquela sensação incômoda de estar em um lugar que deveria ter gente, mas está vazio e errado. É o tipo de hype que a gente adora ver no cinema, especialmente quando foge do óbvio.
O filme chegou aos cinemas em 21 de agosto, mas a jornada para ele existir foi um verdadeiro videogame de sobrevivência. O diretor Alex Ullom não tinha orçamento, nem contatos, apenas um roteiro trippy sobre quatro jovens presos em uma estrada infinita que ignora qualquer lei da física. Enquanto a maioria de nós estava tentando sobreviver à quarentina de 2020, o cara estava em salas de pôquer anônimas dentro de um app de VR no Oculus, tentando achar investidores no meio de blefes e cartas.

A história de como o filme foi financiado parece piada, mas é real. Alex Ullom conheceu um cara nesse ambiente virtual que já tinha feito efeitos visuais para filmes do Guillermo del Toro. O sujeito, querendo produzir algo novo, simplesmente soltou cerca de R$ 55.000 reais (os $10,000 originais) para o diretor tirar o projeto do papel. É aquele tipo de sorte que a gente queria ter ao abrir um pacote de cartas raras, transformando um sonho de recém-formado em cinema real através de uma conexão aleatória em PC e realidade virtual.
Depois de filmar a primeira versão em 2022, o longa passou por um processo de refino intenso, estreando no SXSW 2025 e depois chegando à Letterboxd Video Store em dezembro daquele ano. A Neon, que tem um faro absurdo para filmes de baixo orçamento e alto lucro, viu o potencial da obra e a jogou nos cinemas. Muita gente tentou comparar o Alex Ullom com outros nomes da Gen Z, como Kane Parsons (do fenômeno Backrooms), mas o diretor faz questão de dizer que seu processo foi diferente, sendo mais visceral e menos dependente de anos de prática no YouTube.

O grande trunfo de It Ends é que ele não se vende como um filme de terror puro, mas sim como um "hangout movie" (filme de convivência) que luta contra a própria natureza de horror. A trama prende James, Day, Fisher e Tyler dentro de um carro durante quase todos os 89 minutos de duração. Em vez de apenas gritar, os personagens passam o tempo debatendo memes absurdos, como aquele clássico de escolher entre 10.000 ratos, 50 falcões, cinco gorilas ou um homem com uma arma para se protegerem.
Se você acha que o filme é enxuto, saiba que ele quase foi um monstro de três horas. O Alex Ullom admitiu que existia um corte extendido que, segundo ele, teria flopado feio por ser "muito, muito pior". Ele teve que cortar cenas inteiras, incluindo uma sequência de oito minutos onde a galera apenas discutia sobre um vídeo de tijolo russo, algo que não acrescentava nada à trama, mas que ele amava. Essa coragem de editar e cortar a gordura é o que separa um filme cult de um desastre pretentious.

No fundo, a estrada infinita é uma metáfora pesada sobre a angústia da Gen Z ao se formar na faculdade e perceber que o mundo "quebrou". Aquela sensação de seguir direções para destinos que não existem mais ou caminhos que não levam a lugar nenhum é o coração do filme. É um reflexo surrealista de como a juventude atual se sente perdida em um sistema que não faz mais sentido, transformando a expectativa existencial em um cenário sinistro e claustrofóbico.
Agora, o ponto que deixou todo mundo de queixo caído foi a menção a uma sequência. Para um filme que se chama It Ends (que significa "Isso Acaba"), planejar uma continuação é quase um paradoxo, mas o diretor já deu a entender que tem planos surpreendentes. Não sabemos se vamos explorar novas dimensões ou se a estrada vai tomar formas ainda mais bizarras, mas o fato de ele já estar pensando no próximo passo mostra que a franquia tem pernas (ou rodas) para crescer.

Para quem curte as Notícias de cinema experimental e horror psicológico, esse filme é obrigatório. Ele prova que você não precisa de milhões de dólares em CGI para criar atmosfera; basta uma ideia forte, um elenco que chemistry e a coragem de ser estranho. A forma como o longa utiliza o silêncio e a repetição da paisagem cria um desconforto que dura muito mais do que qualquer jump scare genérico de filme de série B.
No fim das contas, It Ends é um triunfo do cinema independente moderno. Ver um projeto nascer em um lobby de pôquer de VR e terminar em telas de cinema é a prova de que a internet e as novas tecnologias estão democratizando a arte, permitindo que vozes fora do eixo de Hollywood consigam emplacar visões genuinamente perturbadoras e fascinantes. Se você ainda não viu, corre para conferir antes que vire apenas mais um meme de internet.




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