Sabe aquele tipo de filme que todo mundo cita a frase icônica, mas quase ninguém aguenta assistir do começo ao fim sem bocejar? Pois é, estamos falando de Highlander. Aquele papo de que "só pode haver um" grudou na cultura pop como chiclete, mas a verdade é que a obra original é um exemplo clássico de como ter uma ideia genial e executá-la de um jeito completamente sem graça. Para quem viveu a era do VHS, o filme virou um tesouro cult, mas se você olhar com olhos críticos hoje, percebe que o negócio é bem mais problemático do que a nostalgia tenta nos vender.
Agora, o problema real é que a Amazon MGM Studios resolveu mexer nesse formigueiro com um reboot estrelado por Henry Cavill. Nós aqui da redação ficamos com aquele sentimento de "lá vamos nós de novo". A história se repete: Hollywood olha para um título que teve sucesso tardio e tenta replicar a fórmula, mas ignora completamente o motivo pelo qual o original era, na verdade, um tédio absoluto. Se eles não entenderem a lição agora, teremos apenas mais um filme de ação genérico que se leva a sério demais para o próprio bem.

Para começar, vamos falar de números, porque o filme simplesmente flopou na época. Em 1986, a produção custou cerca de R$ 104,5 milhões (convertendo os $19 million da época), mas conseguiu arrecadar apenas aproximadamente R$ 70,4 milhões nas bilheterias. Foi um tombo colossal que deixou os executivos desesperados e a crítica massacrando. Roger Ebert, que não era bobo, chamou o longa de "completamente bobo e muito entediante", e Siskel foi ainda mais longe, classificando-o como um dos piores filmes que já viu na vida. É engraçado como o tempo transforma um desastre financeiro em "clássico cult", não é?
A trama gira em torno de Connor MacLeod, interpretado por Christopher Lambert, um guerreiro escocês do século XVI que descobre que é um "imortal". O conceito é simples: ele não morre, a menos que seja decapitado. Ele é guiado por Juan Sánchez-Villalobos Ramírez, vivido pelo lendário Sean Connery, que explica que todos os imortais devem lutar até que reste apenas um, absorvendo o poder de todos os outros. A premissa de misturar espadas e fantasia com a sujeira da Nova York dos anos 80 é incrível no papel, mas na tela vira um amontoado de cenas lentas e diálogos pesados.

O grande erro de direção de Russell Mulcahy foi levar tudo a sério demais. Existe uma linha tênue entre ser épico e ser pretensioso, e Highlander atravessou essa linha correndo. O filme tenta ser "badass" a cada segundo, mas esquece de dar humanidade aos personagens. Muita gente tenta defender a obra dizendo que ela é "camp", mas para ser camp, o filme precisaria de autoconsciência ou de uma certa precariedade proposital. Com um orçamento de R$ 104,5 milhões naqueles tempos, as paisagens escocesas eram lindas, mas a falta de humor tornou a experiência anêmica e cansativa.
Se houve alguém que entendeu a piada e trouxe luz para esse caos, foi Sean Connery. O ator interpretou Ramírez com um charme e uma leveza que contrastavam totalmente com a rigidez do restante do elenco. Com suas roupas extravagantes e capas de penas de pavão, ele parecia estar em um filme como A Princesa Prometida, trazendo a dose de diversão que a trama exigia. Sem a performance do Connery, o filme teria sido esquecido completamente, pois ele era a única âncora de carisma em um mar de seriedade desnecessária.

Agora, olhando para o futuro, as imagens que vazaram do novo projeto com Henry Cavill não trazem muita esperança. Vimos o ator em cenários sombrios, suado e com aquele olhar de "vou chutar bundas", o que indica que o filme seguirá a mesma vibe depressiva do original. Para piorar, o diretor é Chad Stahelski, o cara por trás de John Wick. Embora as coreografias de luta sejam impecáveis, o estilo do Stahelski é extremamente sério e focado na ação técnica, o que pode significar a ausência total de qualquer humor ou leveza na história.
Se a nova versão de Highlander ignorar que a premissa é inerentemente ridícula e tentar vendê-la como um drama épico e sombrio, ela vai repetir o erro de 1986. A ação pode ser linda, mas sem personagens interessantes e um toque de ironia, teremos apenas mais um filme de luta com espadas que parece um vídeo de demonstração de ray tracing em 4K, mas vazio de alma. Esperamos que a Amazon MGM Studios tenha aprendido a lição, mas as evidências apontam para mais do mesmo.

No fim das contas, a lição que Hollywood não aprendeu é que fantasias urbanas absurdas precisam de respiro. Não adianta ter o melhor elenco ou a melhor direção de arte se o roteiro se recusa a sorrir de si mesmo. Se o novo filme for apenas um exercício de estilo sem substância, ele vai acabar sendo apenas mais um item na lista de reboots que tentaram resgatar a glória de algo que, na verdade, nunca foi tão glorioso assim.
O hype em cima do Henry Cavill é gigante, mas o carisma do ator sozinho não sustenta um roteiro que se leva a sério demais. Resta a nós, fãs de Notícias de cinema e cultura pop, torcer para que eles tragam de volta aquele espírito leve que o Sean Connery injetou no original. Caso contrário, teremos apenas mais um filme que "flopou" em espírito, mesmo que as bilheterias sejam salvas pelo nome do protagonista.




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