Cara, quem viveu a era do Xbox One lembra bem da tortura que foi o Scalebound. O jogo surgiu com aquele hype colossal na E3 2014, prometendo a parceria perfeita entre um guerreiro e um dragão gigante em um mundo aberto absurdo. A gente ficou anos esperando, vendo uns trailers que pareciam obra de arte, para no fim a Microsoft simplesmente puxar a tomada e cancelar tudo em janeiro de 2017. Foi um dos maiores tombos daquela geração, e a sensação de que o projeto simplesmente flopou nos bastidores deixou a comunidade com um gosto amargo na boca.
Mas se tem alguém que não aceita um 'não' como resposta definitiva, esse alguém é o Hideki Kamiya. O gênio por trás de Bayonetta e agora chefe do estúdio Clovers resolveu jogar a real e mandou um recado direto para a nova CEO do Xbox, Asha Sharma. Em uma entrevista recente para o VGC, o japonês deixou claro que, se a Microsoft estiver a fim de tirar a poeira desse projeto, ele está mais do que pronto para fazer o jogo acontecer. É aquele tipo de insistência que a gente ama ver na indústria, porque mostra que o criador ainda acredita no potencial da obra.

Para quem não lembra, Scalebound era para ser a obra-prima da PlatinumGames no ecossistema da Microsoft. O jogo misturava combate técnico de ação com elementos de RPG, tudo isso enquanto você montava em um dragão customizável.
A expectativa era tanta que até a Gamescom 2015 teve demonstrações que deixaram todo mundo maluco. O problema é que a comunicação da época era confusa, e os sucessivos adiamentos começaram a levantar bandeiras vermelhas. Quando a notícia do cancelamento finalmente veio, foi como se tivessem deletado um pedaço do futuro dos jogos de ação do console.

O que torna essa história atual interessante é que o cenário mudou completamente. O Hideki Kamiya não está mais na PlatinumGames, tendo fundado a Clovers no final de 2024. Embora a equipe esteja agora focada no desenvolvimento de Okami 2, o desejo de resgatar o dragão do Scalebound continua vivo. Ele inclusive pediu para que a entrevista incluísse imagens do jogo antigo, só para garantir que a Asha Sharma visse a qualidade do que foi perdido.
O Kamiya contou que jantou recentemente com alguns membros da antiga equipe de desenvolvimento e, surpreendentemente, o assunto voltou à tona. Segundo ele, a galera lembrou com muito carinho de como era divertido trabalhar naquele projeto, apesar dos percalços e do estresse da produção. Para um diretor, saber que o time ainda sente orgulho de algo que nem sequer foi lançado é a prova de que a essência do jogo era genuinamente boa e não apenas marketing.

Agora, a bola está com a Microsoft. A Asha Sharma assumiu o cargo de CEO em fevereiro deste ano, substituindo o lendário Phil Spencer, e tem implementado mudanças rápidas na divisão de games. Algumas foram bem recebidas, como a possibilidade de digitalizar jogos físicos, mas outras ainda dividem a galera. Se ela quiser marcar território com um resgate histórico e trazer de volta um IP que era pura promessa, reviver Scalebound seria a jogada de mestre para conquistar os fãs.
O Kamiya comparou essa situação com o retorno de Okami 2. Ele acredita piamente que, quando você quer algo com força suficiente, acaba encontrando um caminho para realizar. No caso de Okami, a oportunidade surgiu depois de anos, e ele espera que a mesma lógica se aplique ao dragão da Microsoft. É claro que a Clovers não conseguiria focar nisso agora, mas como um projeto paralelo ou futuro, seria um sonho realizado para quem acompanha as Notícias de games há mais de uma década.

Sendo sincero aqui, eu acho que a Microsoft precisa parar de matar projetos promissores e começar a apostar mais na visão de criadores viscerais como o Kamiya. O mercado hoje está saturado de jogos genéricos, e um action-RPG com a assinatura da PlatinumGames ou da Clovers seria um respiro necessário para o PC e para os consoles novos. Se eles deixarem esse projeto morrer para sempre, vão estar jogando fora um material que já tinha a base pronta e um público sedento por novidades.
No fim das contas, ainda não se sabe se a nova gestão da Xbox tem a coragem de assumir os erros do passado e dar a chance de um recomeço. O Kamiya já fez a parte dele: jogou a isca, mostrou que o time está motivado e deixou a porta aberta. Agora é só esperar para ver se a Asha Sharma vai morder a isca ou se Scalebound continuará sendo apenas aquele 'e se...' que assombra os fóruns de discussão.




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