Se você acompanha a comunidade de RPG, sabe que a treta entre quem prefere a Yennefer ou a Triss é quase tão antiga quanto o próprio mundo de The Witcher 3: Wild Hunt. A gente passa horas debatendo qual das duas é a escolha certa para o Geralt, analisando diálogos e tentando decidir quem realmente combina mais com o bruxo. Mas, enquanto a gente se mata em discussões nos fóruns, o próprio cara que dá a voz ao protagonista no inglês, o Doug Cockle, resolveu jogar uma bomba no ventilador e mudar completamente o foco da conversa.
O negócio é o seguinte: para Doug Cockle, o verdadeiro amor da vida do Geralt não é nenhuma das feiticeiras, mas sim aquele bardo tagarela e problemático, o Dandelion. Calma, não precisa entrar em pânico ou começar a shipar freneticamente agora, porque o ator deixou bem claro que essa conexão é 'estritamente platônica'. Basicamente, ele acredita que a química entre o bruxo e o poeta é a relação mais sólida e genuína de todo o jogo, superando qualquer romance ardente que você possa ter escolhido na sua campanha.

Essa revelação rolou durante um bate-papo na Gamescom, onde o Doug Cockle abriu o jogo sobre como ele enxerga a dinâmica entre esses dois. Para ele, existe algo especial que une o Geralt ao Dandelion, uma espécie de lealdade incondicional que não depende de atração física ou romance, mas de uma amizade visceral que sobreviveu a anos de confusões por todo o continente.
O ator chegou a mencionar que, embora deteste a frase clichê de 'bros over hoes' (estilo 'parceiros acima de mulheres'), há um fundo de verdade na forma como o Geralt prioriza o bardo. Quando a gente analisa a história friamente, percebe que o bruxo tem um radar específico para o Dandelion: não importa onde ele esteja ou com quem o Geralt esteja no momento, se o bardo se meter em encrenca, o mundo para. É aquele tipo de amizade onde você reclama do cara o tempo todo, mas atravessa um oceano de monstros só para tirar ele de uma cela.

Se você olhar para a primeira missão principal do Ato 1, 'Poet Under Pressure', fica óbvio que o Geralt não pensa duas vezes antes de largar tudo para rastrear o Dandelion, enfrentar caçadores de bruxas e resgatá-lo de um barraco de halflings. O cara é basicamente um imã de problemas, e o Geralt é o único cara paciente o suficiente para ser o porto seguro dele. É um nível de dedicação que deixa qualquer interesse romântico no chinelo, especialmente quando você vê a urgência com que o bruxo age.
Mas o ponto mais pesado dessa teoria vem de missões como 'Count Reuven's Treasure'. Pra quem não lembra ou não jogou no PC ou nos consoles, há um momento em que o Geralt basicamente ignora os sons de a Triss sendo torturada para conseguir informações sobre onde o Dandelion está escondido. Sim, você leu certo! O cara deixa a feiticeira sofrendo enquanto busca o bardo. Pode até ter justificativas lógicas para isso na trama, mas do ponto de vista de prioridades, o Doug Cockle usa isso como prova cabal de que o bardo é quem manda no coração (platônico) do bruxo.

Claro que nem todo mundo concorda 100%. O dublador do Dandelion, John Schwab, deu a sua pitada na conversa, lembrando que o fato do Geralt estar sempre lá para salvar a pele do bardo não significa que ele esteja feliz com isso. O Geralt não está gritando 'Eba, hora de salvar o Dandelion de novo!', mas sim suspirando com aquele tom exasperado de quem não aguenta mais as burrices do amigo, mas sabe que não consegue deixá-lo para trás.
Essa dinâmica é o que torna The Witcher 3: Wild Hunt um jogo tão absurdo em termos de escrita. A CD Projekt conseguiu criar personagens que não são apenas arquétipos de 'herói' e 'companheiro', mas pessoas com falhas e dependências impactantes reais. Ver o Geralt, que tenta se vender como um mutante sem emoções, ser completamente manipulado pela sua lealdade ao Dandelion é a prova de que ele é muito mais humano do que gostaria de admitir.

No fim das contas, essa visão do Doug Cockle adiciona uma camada massa para quem joga via Steam ou consoles. Mostra que, além do hype dos romances e das escolhas morais difíceis, existe uma base de amizade que é o verdadeiro pilar da jornada do bruxo. Não importa se você escolheu a Yennefer ou a Triss, ou se decidiu ficar solteiro; o Dandelion sempre será aquele 'estranho' que consegue tirar o Geralt do sério e, ao mesmo tempo, é a pessoa mais importante da vida dele.
Para mim, isso faz todo o sentido. O amor romântico é instável, cheio de brigas e magias complexas, mas a amizade entre um bruxo rabugento e um bardo narcisista é a coisa mais pura e engraçada de todo o jogo. É aquele tipo de relação que a gente quer ter na vida real: alguém que você xinga em cada frase, mas que você defenderia com a própria espada contra um exército de monstros sem pensar duas vezes.




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