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Dont Let It Starve: Vale a pena esse roguelike de terror inspirado em Balatro?

Se você estava por aí achando que a febre de Balatro já tinha passado, sinto informar que você está redondamente enganado. Desde que aquele jogo de poker insano explodiu em 2024, a gente vem vendo uma avalanche de roguelikes focados no conceito de "fazer o número subir". É aquele tipo de gameplay hipnótico que te prende por horas só para ver um multiplicador absurdo na tela, e agora temos um novo integrante nessa festa: Don't Let It Starve, desenvolvido por Eduardo Scarpato e pela Black Lantern Collective.

Nós aqui da Gamer Elite resolvemos mergulhar nessa experiência para ver se o jogo realmente entrega o hype ou se é apenas mais um clone tentando pegar carona no sucesso alheio. A premissa é bizarra e interessante: você está em uma espécie de purgatório onde a única tarefa é montar marmitas — as famosas bento boxes — para alimentar uma criatura faminta e grotesca. No papel, a ideia de misturar culinária, terror e puzzles parece animal, mas a prática é onde o bicho pega.

Imagem Cena de Dont Let It Starve 1

O core do gameplay é basicamente um Tetris gastronômico. Você precisa encaixar pedaços de carne em formato de T, blocos de arroz quadrados e outros ingredientes dentro da caixa para maximizar a pontuação. No começo, isso é bem satisfatório; você fica ali tentando entender a melhor geometria para preencher cada espaço, sentindo aquele dopamina bater cada vez que o Steam Deck vibra e os números saltam na tela. É aquele loop clássico de roguelike que te faz pensar "só mais uma rodada".

Imagem Cena de Dont Let It Starve 2

Só que, depois de uns noventa minutos, a engrenagem começa a ranger. O problema aqui é que o RNG (geração aleatória) parece ser cruel demais, beirando o injusto. Em um momento, eu tinha 10 re-rolls disponíveis e precisava de um picles de um único quadrado para fechar minha bento box e garantir a vitória. Usei todas as tentativas e, pasmem, o jogo não me deu o picles. Quando fui checar as taxas de drop, descobri que aquele item tinha apenas 4% de chance de aparecer. Aí você percebe que o jogo não é tanto sobre estratégia, mas sobre ter a sorte do dia.

Imagem Cena de Dont Let It Starve 3

Para tentar compensar essa sorte terrível, o jogo implementa combos. Se você coloca três salsichas, ativa o combo "Death", que dá um bônus legal. Se combina dois pães com carne bovina, cria um "Burger". É legal ver essas receitas funcionando, mas a sensação geral é de que você é um cozinheiro de fast-food sob pressão, fazendo a mesma tarefa repetitiva enquanto conta os minutos para bater o ponto e ir jogar outra coisa. O crescimento dos números, que em Balatro parece orgânico e recompensador, aqui parece forçado, como se o jogo estivesse tentando me convencer de que estou me divertindo.

Um ponto onde o jogo realmente brilha é na estética. O estilo gráfico retrô, meio sujo e tosco, casa perfeitamente com a vibe de terror. O monstro que você precisa alimentar tem uma personalidade hilária, com um sotaque francês exagerado que o torna quase simpático — logo antes de ele devorar você por não ter atingido a meta de pontos. Essa atmosfera de "horror cômico" é o que impede o jogo de ser um flop total, trazendo um charme que falta em outros clones como CloverPit ou Raccoin.

Imagem Cena de Dont Let It Starve 4

É curioso notar que, apesar das minhas críticas, a comunidade no Steam parece estar curtindo bastante. Com cerca de 100 reviews, o jogo ostenta um selo "Muito Positivo". Isso prova que o gênero de "números subindo" tem um público fiel que não se importa tanto com a profundidade mecânica, desde que a experiência seja viciante e visualmente interessante. Se você já curtiu jogos como Inkonbini, há uma chance real de você se apaixonar por esse bento box infernal.

No fim das contas, Don't Let It Starve é um experimento interessante que não chega a revolucionar nada. Ele pega a fórmula do sucesso, tempera com um horror retrô e serve em uma marmita. Para quem busca algo rápido para passar o tempo no PC ou no Steam Deck, pode ser uma pedida válida, mas para quem busca a profundidade estratégica de um roguelike de elite, pode sentir falta de algo mais substancial.

Meu veredito é que o jogo é honesto, mas não é essencial. Ele não chega a ser um nerf no gênero, mas também não dá aquele buff que a gente esperava para elevar a barra dos clones de Balatro. Se você gosta de puzzles simples e de uma estética macabra, dê uma chance. Caso contrário, talvez seja melhor continuar no poker viciante do original.

Links Úteis

* Don't Let It Starve no Steam * Reviews de Usuários

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