Imagina só a loucura que seria ter um jogo de luta oficial da Disney seguindo a fórmula de Super Smash Bros. A gente sabe que a casa do Mickey adora espremer cada centavo de suas franquias, mas descobrir que eles quase botaram personagens de mundos completamente diferentes para se socarem em uma arena é algo que explode a cabeça de qualquer gamer. Essa revelação veio agora através de Ken Christiansen, um artista conceitual da Disney Interactive que trabalhou no primeiríssimo Kingdom Hearts, e a história é bem mais tortuosa do que parece.
O ponto central aqui é que o nascimento de Kingdom Hearts não foi um caminho florido, longe disso. Para a gente que joga, a mistura de Sora com o universo da Disney parece natural, mas na época, os executivos da Disney estavam morrendo de medo de misturar suas propriedades intelectuais. O cara contou que houve um choque cultural enorme, porque a empresa era extremamente relutante em aceitar que personagens de O Rei Leão pudessem interagir com o mundo de A Pequena Sereia.

Essa resistência interna gerou aquele clima chato de "bateção de cabeça" durante a produção do primeiro jogo. Enquanto os desenvolvedores da Square Enix e os artistas achavam que a ideia era genial e teria um hype absurdo, a diretoria da Disney não conseguia processar a ideia de ver seus ícones correndo uns nos outros o tempo todo. Era aquela briga clássica entre a visão criativa de quem faz o jogo e a burocracia corporativa de quem cuida da marca, algo que a gente vê até hoje em muitos projetos que acabam sendo nerfados antes mesmo de sair do papel.
Mas, como vocês bem sabem, o dinheiro fala mais alto que qualquer medo corporativo. Quando o primeiro Kingdom Hearts foi lançado para o PS2, ele não foi apenas um sucesso, ele virou um fenômeno de vendas absurdo na plataforma da PlayStation. Com a conta bancária cheia e a prova real de que o público amava crossovers, os engravatados da Disney mudaram de ideia rapidinho e começaram a enxergar cifrões onde antes viam apenas riscos para a marca.

Foi nesse momento de euforia que surgiu o projeto com o título provisório de Disney's Action Figure Face Off. A ideia era pegar a premissa de Toy Story, onde os brinquedos ganham vida, e transformar isso em um jogo de luta no estilo do Super Smash Bros da Nintendo. Eles queriam que bonecos de ação de personagens como Tarzan, Simba e até figuras de O Planeta do Tesouro lutassem entre si em cenários improvisados, criando aquele caos maravilhoso de lutas multiplataforma.
Curiosamente, até a estrutura narrativa de brinquedos era bem parecida com o que o Super Smash Bros 64 fez no passado. Infelizmente, o Disney's Action Figure Face Off nunca passou da fase de protótipos porque a Disney decidiu jogar a toalha para focar em tie-ins de filmes, que eram apostas consideradas mais seguras e com menos risco de flopar. É aquela velha história: a empresa prefere o caminho óbvio do que arriscar em algo inovador que poderia revolucionar o gênero de luta.

Mesmo que esse projeto específico tenha ido para o limbo, a semente do crossover foi plantada e rendeu frutos depois. Projetos como o Disney Infinity, o kart racer Disney Speedstorm e o simulador de vida Disney Dreamlight Valley são descendentes diretos dessa mentalidade de unir todas as franquias sob o comando do Mickey. Basicamente, eles aprenderam que misturar tudo dá dinheiro, mas preferiram fazer isso em gêneros menos competitivos do que um jogo de luta puro.
Enquanto isso, a série que começou toda essa confusão continua firme e forte. O Kingdom Hearts 4 já está com lançamento previsto para o final do ano que vem, e ainda tem uma série de anime em produção para o Disney Plus. É impressionante como uma franquia que quase nem saiu do papel por causa de medo de crossover se tornou um dos pilares da Square Enix e da Disney nos games.

Olhando para trás, é impossível não sentir um aperto no peito por esse Smash da Disney não ter acontecido. Imagina a profundidade de gameplay que isso poderia ter se tivesse sido feito com o capricho da época, ou até hoje com a tecnologia de 60fps e 4K. Perder a chance de ter um jogo competitivo com esse elenco é um crime contra a indústria, mas é o preço que se paga quando a segurança financeira vem antes da diversão bruta.
No fim das contas, ficamos com as migalhas de outros jogos crossover e a esperança de que algum dia a Disney recupere a coragem de fazer algo realmente ousado. O mercado de jogos mudou, o público agora abraça a loucura, e um projeto desses hoje em dia teria um marketing colossal. Por enquanto, a gente continua jogando as relíquias do PS2 e esperando que o próximo capítulo de Kingdom Hearts entregue tudo o que prometeu nas Notícias.




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