Cara, vamos ser sinceros: se você ligasse o PC ou o Nintendo Switch nos últimos dez anos e procurasse por um simulador de fazenda, você ia encontrar basicamente o mesmo jogo com cores diferentes. A gente entrou numa era onde a fórmula de 'herdar a terra do vô, plantar batata e namorar a menina da vila' virou a lei absoluta. É aquele tipo de gameplay que relaxa, claro, mas que depois de dez títulos iguais, começa a dar aquela sensação de déjà vu insuportável.
O grande culpado — ou herói, dependendo de quem você pergunte — foi o Stardew Valley. Quando ele explodiu em 2016, ele não só reviveu o gênero que tinha morrido com o antigo Harvest Moon, mas criou um padrão tão forte que todo estúdio indie resolveu seguir a receita à risca. O problema é que, quando todo mundo segue a mesma fórmula pra garantir a venda, a gente para de ter inovação e começa a ter clones.

Olha a lista de jogos que surgiram: Dinkum é basicamente um Stardew Valley na Austrália; Coral Island é a versão tropical com sereias; Disney Dreamlight Valley tenta ser um Animal Crossing, mas a base da plantação vem direto do manual do ConcernedApe. Tivemos Fae Farm com fadas, Roots of Pacha com dinossauros e até o Tales of the Shire, que coloca hobbits pra trabalhar, mas que, convenhamos, chegou com um polimento bem questionável e quase flopou na entrega final.
O sentimento geral é que esses jogos viraram a versão 'cozy' dos mundos abertos AAA. Tudo é feito pra ser sem fricção, sem desafio real, onde você só precisa dar presentes pros NPCs pra eles te amarem. Se você tirar a skin de 'bruxa' de Wylde Flowers ou a temática de morte de Graveyard Keeper, a estrutura de progressão é a mesma: minere, pesque, decore e expanda. É confortável, mas falta aquele tempero que faça a gente sentir que está jogando algo realmente novo.

Claro, tivemos uns 'estranhos no ninho' que tentaram fugir disso. Sakuna: Of Rice and Ruin foi um exemplo animal, porque focou na complexidade real de cultivar arroz, transformando a plantação em quase um puzzle técnico. Tivemos também a série Rune Factory, da Marvelous, que mistura RPG de ação com fazenda, embora o Rune Factory 5 tenha sido um nerf considerável na qualidade da franquia. Mas, no geral, se você visse um anúncio de 'farming sim' num Nintendo Direct, você já sabia exatamente o que ia enfrentar.
Mas ó, segura a expectativa porque o jogo está virando. A gente começou a notar que a tendência agora não é mais criar 'uma versão de tal tema', mas sim 'fazenda E alguma coisa'. Estamos saindo da era do 'estilo' para a era da 'fusão de gêneros'. É aqui que a coisa fica interessante, porque os desenvolvedores finalmente decidiram chutar o balde do conforto e experimentar misturas que, no papel, parecem loucura, mas na prática dão um buff absurdo na gameplay.

O maior exemplo dessa nova onda é o Grave Seasons, da Perfect Garbage. Esquece aquela história de herdar a fazenda da família e ser amado por todos. Aqui, você é um condenado, um preso. O clima é de tensão: as pessoas têm motivos reais para ter medo de você, e quando a galera começa a cair morta ao redor, você também passa a ter medo delas. É a subversão total do conceito de 'jogo relaxante', trocando a paz do campo por um suspense sobrenatural onde a plantação é quase um cenário de crime.
Essa pegada de 'farming and horror' ou 'farming and dungeon crawling' mostra que o público já saturou do excesso de fofura. A gente quer o loop viciante de cultivar coisas, mas quer que isso sirva a um propósito maior, como sobreviver a monstros ou desvendar mistérios sombrios. É esse tipo de risco que faz a indústria de indies no Steam continuar viva e relevante, fugindo da zona de conforto que quase matou a criatividade do gênero.

No fim das contas, é libertador ver que a sombra do Stardew Valley finalmente está diminuindo para dar lugar a novas ideias. Não que o clássico seja ruim — ele é perfeito no que faz —, mas o gênero precisava de um choque de realidade. Ver estúdios como a Perfect Garbage tentando virar o jogo de cabeça para baixo é o que nos faz ter hype por novos anúncios de simuladores.
Se a tendência continuar, vamos parar de ver clones genéricos e começar a ver experiências híbridas que realmente desafiem o jogador. Seja misturando com terror, investigação ou combate pesado, o importante é que a 'fazendinha' deixou de ser apenas um lugar de descanso para se tornar um playground de experimentação. Agora é só torcer para que mais devs tenham a coragem de abandonar a fórmula segura e entregar algo que realmente nos surpreenda nas Notícias de games.




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