Sabe aquele sentimento de que a Marvel nunca sabe a hora de parar de espremer a vaca? Pois é, a galera do MCU resolveu dar um passeio no passado com o anúncio de Avengers: Endgame Encore. Para quem estava esperando uma espécie de 'Versão do Diretor' com cenas deletadas massivas, diálogos expandidos ou até mudanças na trama, eu já aviso logo: baixem a expectativa agora mesmo para não passarem raiva depois.
O hype inicial era grande, mas a realidade bateu forte quando a AMC Theatres soltou a real sobre a duração do longa. Estamos falando de um filme que já era um monstro de 181 minutos, e a versão Encore vai subir para 185 minutos. Sim, você leu certo: a grande novidade são míseros 4 minutos de conteúdo adicional. É quase a duração de um vídeo de review rápido no YouTube, mas eles estão vendendo isso como um evento cinematográfico.

Mas calma, não é apenas 'enchimento de linguiça' qualquer. O diretor Joe Russo deu o papo de que esse tempo extra é fundamental para criar uma ponte narrativa com o que vem por aí em Avengers: Doomsday. Basicamente, eles pegaram algumas cenas que foram filmadas durante a produção de Avengers: Doomsday e as enfiaram no final ou no meio de Endgame. É uma jogada bem peculiar, quase como se estivessem fazendo um patch de atualização de software em um filme que já saiu há anos, algo que a gente costuma ver em Notícias de jogos quando um desenvolvedor tenta consertar um lançamento bugado.
Essa estratégia de usar o filme antigo para dar contexto ao novo vilão, o Doutor Destino, mostra que a Marvel Studios está desesperada para que a gente não esqueça a escala do conflito. O Doutor Destino é um dos personagens mais icônicos dos quadrinhos e a expectativa para vê-lo no cinema é gigantesca, mas transformar um re-lançamento em 'material essencial' para entender a trama futura parece um pouco forçado, beirando o marketing agressivo para lotar as salas de novo.

Se a gente olhar para trás e lembrar do impacto original de Avengers: Endgame, fica fácil entender por que eles querem mexer nisso. O filme foi um ápice emocional, começando com aquele soco no estômago quando a família do Hawkeye vira poeira. Foi um começo cruel, mas necessário para estabelecer que a brincadeira era séria e que o custo da vitória seria alto, fugindo daquela fórmula de 'final feliz' gratuito que vemos em muitos blockbusters.
Outro ponto que dividiu a galera na época, e que provavelmente continua intacto nessa versão, foi a morte abrupta do Thanos logo nos primeiros vinte minutos. Muita gente achou que o Thor simplesmente 'nerfou' o vilão ao decapitar o Titã Louco sem a grande luta final que todos esperavam. Porém, analisando friamente, esse momento foi essencial para mostrar que a violência gratuita não resolveu o problema e que os heróis estavam no fundo do poço emocional.
Claro que não dá para falar de Endgame sem mencionar a sequência do Captain America roubando o cetro do Loki. Aquela parte foi pura diversão, desde a subversão do 'Hail Hydra' no elevador até a piada autoconsciente de 'eu aguento o dia todo'. Sem falar no momento clássico em que a galera admira a 'bunda da América'. São esses respiros de humor que impedem o filme de se tornar um melodrama insuportável e mantêm o público engajado durante as três horas de projeção.
E, obviamente, o momento que fez todo mundo levantar da cadeira: o grito de 'Avengers Assemble!'. Ver o Captain America com o escudo quebrado, cercado por nada, e então ouvir o 'está à sua esquerda' do Falcon, abrindo as comportas para o retorno de todo o exército, é cinema de entretenimento no seu estado mais puro. É esse tipo de cena que faz a gente perdoar a Marvel por algumas fases mais fracas do MCU, como as que vimos em algumas séries recentes que floparam na crítica.
No fim das contas, a pergunta que fica é se vale a pena pagar um ingresso para ver quatro minutos de material novo. Se você é um fã fanático que coleciona até o papel de bala do Tony Stark, com certeza vai correr para o cinema. Agora, para o espectador comum, parece mais uma tentativa de gerar lucro rápido usando a nostalgia de um dos maiores sucessos da história do cinema. Se você já tem o filme em Blu-ray no seu PlayStation ou no PC, talvez seja melhor esperar sair em streaming.
Meu veredito é que a Marvel está jogando um jogo perigoso. Tentar 'estender' um filme antigo para fazer marketing de um futuro lançamento pode soar como falta de confiança no roteiro de Avengers: Doomsday. Espero que esses quatro minutos realmente tragam algo impactante e não sejam apenas cortes de cena que não serviam para nada. De qualquer forma, o cinema é o lugar desses espetáculos e, mesmo que seja pouco, a curiosidade vai falar mais alto para muita gente.



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