Sempre que a gente pensa em wasteland, a cabeça vai direto para os desertos americanos de Fallout. É aquele cenário clássico de diners destruídos e robôs retrofuturistas, mas, convenhamos, quem nunca se perguntou como seria esse caos do outro lado do Atlântico? A gente até teve aquele mod animal, o Fallout: London, que deu um gostinho do negócio, mas agora a parada ficou séria e oficial com a chegada de Atomfall, a nova aposta da Rebellion Developments.
O jogo não tenta apenas copiar a fórmula da Bethesda, ele traz uma identidade visceralmente britânica que muda todo o clima da exploração. A ambientação rola no Lake District, no norte da Inglaterra, uma região que é absurdamente linda na vida real, mas que aqui vira o palco de um pesadelo nuclear. É aquele tipo de hype que a gente gosta: pegar um cenário bucólico e transformar tudo em um campo de batalha radioativo com aquele humor ácido característico dos ingleses.

A premissa histórica é fascinante e serve de base para todo o lore do jogo. Em 1957, aconteceu o incêndio de Windscale, que foi o pior acidente nuclear da história do Reino Unido, e o governo da época tentou abafar a severidade do desastre. O Atomfall pega esse evento real e resolve dar um buff na tragédia, reescrevendo a história para criar um cenário ainda mais catastrófico e injetando elementos de ficção científica que deixam tudo mais sinistro.
Em termos de gameplay, quem espera um RPG tradicional com árvore de habilidades complexa pode sentir que o jogo foi nerfado, porque não existe sistema de níveis ou pontos de experiência. No entanto, isso não tira o brilho da experiência; na verdade, aproxima o título de Fallout: New Vegas, onde o que realmente importa são as suas escolhas e como você interage com o mundo. A exploração é recompensadora porque as zonas de mundo aberto são densamente povoadas, sem aqueles quilômetros de vazio que fazem a gente bocejar em outros jogos de mapa aberto.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a pegada de investigação. O Atomfall flerta pesado com o gênero de detetive, onde você precisa encontrar pistas e leads para resolver os dilemas dos personagens que encontra pelo caminho. Tudo isso fica registrado no seu diário, e o jogo te joga no mundo sem aqueles marcadores de missão irritantes que pegam na mão do jogador, incentivando a gente a realmente olhar para o cenário e deduzir para onde ir, o que é música para os meus ouvidos.
E se você é do tipo que gosta de causar o caos, saiba que a liberdade aqui é total. Basicamente, todo mundo no jogo pode ser eliminado se você estiver a fim de jogar no modo psicopata, ou você pode tentar a abordagem diplomática e não matar ninguém. Essa moralidade reflete diretamente no desfecho da história, com seis finais diferentes que dependem de quem você decidiu ajudar ou trair ao longo da jornada, garantindo que o jogo tenha um valor de replay altíssimo.

Para quem curte a plataforma Xbox ou joga no PC, a disponibilidade no Game Pass torna a experiência quase obrigatória para este final de semana. É a chance perfeita de testar se a Rebellion Developments conseguiu entregar um jogo com a mesma alma de Fable e a brutalidade de Fallout. Não é apenas um jogo de tiro em cenário pós-apocalíptico; é uma imersão cultural em uma Inglaterra distópica que consegue ser ao mesmo tempo linda e depressiva.
Nós aqui da redação acompanhamos muita promessa de mundo aberto que acabou sendo um flop, mas a densidade de Atomfall parece ser o caminho certo. Em vez de tentar criar um mapa do tamanho de um país, eles focaram em fazer cada vila e cada caverna terem algo interessante para oferecer. Essa filosofia de design é o que separa os jogos memoráveis dos clones genéricos que a gente esquece depois de duas horas de gameplay.

No fim das contas, Atomfall chega como um sopro de ar fresco (embora seja um ar radioativo) para quem sente falta de jogos que respeitam a inteligência do jogador. A ausência de indicadores óbvios e a dependência de pistas reais fazem com que a gente se sinta parte do mundo, e não apenas alguém seguindo setinhas em um mapa. É um título que exala personalidade e não tem medo de assumir suas raízes britânicas para criar algo único.
Meu veredito é simples: se você tem a assinatura do serviço, não tem motivo para não baixar agora mesmo. Pode não ter a escala épica de um Starfield, mas tem uma alma e uma coesão que muitos AAA milionários perderam. Preparem seus detectores de metal, fiquem atentos aos druidas armados e boa sorte tentando sobreviver ao Lake District sem perder a sanidade no processo.



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