Quem acompanha a indústria dos games sabe muito bem que o hype em torno de um grande lançamento muitas vezes gira em torno de gráficos ultra realistas com ray tracing, taxas de quadros cravadas em 60fps e mundos abertos gigantescos. No entanto, de vez em quando somos pegos totalmente desprevenidos por um elemento artístico que rouba a cena de maneira avassaladora e se consolida na nossa memória afetiva. É exatamente isso o que acontece quando mergulhamos nas alturas estratosféricas do novo título da Bandai Namco Aces, provando que o talento musical na indústria atual continua mais vivo e pulsante do que nunca.
A nossa equipe aqui da redação especializada analisou detalhadamente cada compasso desta obra-prima e o veredito é unânime: estamos diante de um verdadeiro marco na história recente dos jogos de combate aéreo. Desenvolvido com um cuidado absurdo e lançado para as plataformas PlayStation e Xbox, o título revitaliza uma franquia lendária que andava sumida, entregando controles precisos, missões variadas e um visual de cair o queixo na nova geração de consoles PS5 e Xbox Series X. Mas o verdadeiro ouro desta experiência reside em suas composições sonoras magistrais que elevam qualquer combate a patamares cinematográficos.

A genialidade sonora da obra passa diretamente pelas mãos do veterano compositor Keiki Kobayashi, cujo trabalho anterior já era idolatrado pelos fãs de longa data da série nos velhos tempos do PC e dos consoles clássicos. Desta vez, unindo forças com Ryo Watanabe e Mitsuhiro Kitadani, o maestro entregou um repertório colossal que transborda grandiosidade em cada nota orquestrada. Ouvir o tema principal, batizado de “Everflow”, é uma experiência quase visceral que faz qualquer jogador sentir aquela energia inexplicável, daquelas que te dão vontade de quebrar barreiras físicas.
O termo "épico" acabou banalizado pela cultura pop moderna, mas ele se encaixa perfeitamente aqui, pois cada faixa possui uma escala monumental, recheada de coros vocais absurdamente grandiosos e seções de cordas que parecem tocar direto na alma. A imersão é tão profunda que dialoga diretamente com o peso dramático visto em franquias lendárias como Metal Gear Solid, garantindo que a tensão das guerras travadas nos céus seja sentida na pele a cada segundo de dogfight frenético.

Outro ponto que merece destaque absoluto é a forma inteligente como os desenvolvedores utilizaram motifs musicais ao longo de toda a campanha narrativa. Sempre que o esquadrão rival da força aérea sotoana, os Lux Lunae, entra em cena, o jogador é imediatamente alertado por um canto de guerra inconfundível entoado pelos pilotos adversários. Essa simples melodia vocal é costurada de maneira brilhante em composições maiores ao longo da jogatina, culminando em faixas arrebatadoras como a impressionante “Hortus Regis Alti”.
Como se toda a imponência sinfônica não bastasse para consagrar o jogo, a trilha ainda se dá ao luxo de incluir hinos de rock and roll estonteantes que deixam qualquer fã completamente extasiado. Ao longo das missões, a própria esquadrão do jogador demonstra uma paixão contagiante por uma banda fictícia chamada Purple Magic, cujos sons servem de combustível para as manobras mais insanas e arriscadas possíveis.

A fusão impecável entre essas faixas de rock enérgicas e a grandiosidade da trilha orquestral original lembra perfeitamente aqueles trailers de blockbusters de Hollywood que misturam música moderna com arranjos clássicos de forma perfeita. É um trabalho de engenharia sonora tão refinado que dificilmente vemos duplicado em outras produções de grande orçamento do mercado atual.
Para quem deseja conferir toda essa genialidade sem necessariamente encarar os rigores das manobras e giros da Guerra Sotoa-Usea, a trilha sonora completa está disponível para audição e merece a atenção de qualquer entusiasta da boa música. Afinal, estamos diante de um produto cultural que transcende a própria mídia interativa e se consagra como uma verdadeira obra de arte sonora moderna.




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