Sabe aquele sentimento de querer voltar às raízes, experimentar a pureza de quando os jogos não pegavam na nossa mão para tudo? Pois é, eu resolvi entrar a fundo em World of Warcraft: Forever e, olha, a experiência foi um verdadeiro salto entre o paraíso da nostalgia e o inferno do estresse. Para quem não é do tempo do dial-up, esse tipo de experiência em um MMORPG tenta resgatar aquela sensação de mundo vivo, onde você não é o centro do universo, mas apenas mais um aventureiro tentando não morrer para um mob de nível 10.
No começo, eu estava genuinamente encantado com toda a pegada old-school da Blizzard. Sabe aquele sistema arcaico onde não existe o tagging global? Pois é, isso significa que se você quer pegar um recurso, você tem que ser mais rápido que o cara do lado. Eu estava curtindo essa vibe, achando massa que as quests de coleta fossem processadas no lado do servidor e não no cliente. Se alguém pegou a fruta do cacto antes de você, ela sumiu para todo mundo. É a lei da selva no PC, e eu estava aceitando isso com um sorriso no rosto.

Tudo ia bem até o momento em que eu coloquei os pés em Orgrimmar, a capital da Horde. Cara, chegar ali é um choque cultural e sensorial. As ruas estão entupidas de gente, e o chat global é um hospício completo, com mensagens de recrutamento sendo soterradas por pessoas discutindo a quantidade de papel higiênico que gastam por dia. É aquele tipo de caos orgânico que você só encontra em World of Warcraft quando o servidor está bombando, e eu confesso que, no início, achei isso fascinante.
Foi nesse cenário de anarquia urbana que eu cometi o erro fatal: aceitei uma quest chamada Rocks to Rest, que ficava escondida atrás de um prédio, onde alguns crianças trolls estavam reunidos. O objetivo era ridiculamente simples: coletar oito pedras para que eles pudessem ter mesas e cadeiras. Eu pensei comigo mesmo: que moleza, vou fazer isso em dois minutos e seguir viagem. Mal sabia eu que estava assinando meu atestado de insanidade mental.

O problema é que aquela mecânica de coleta server-side, que eu achava charmosa cinco minutos antes, se tornou um pesadelo quando você percebe que existem outras dez pessoas tentando pegar as mesmas pedras que spawnam esporadicamente. A quest deixou de ser um passeio e virou o Velho Oeste. Eu me vi girando a câmera freneticamente, esperando qualquer sinal de uma pedra surgindo, para então disparar em uma corrida desesperada junto com metade da cidade, rezando para ser o escolhido que conseguiria clicar no item um milissegundo antes de todo mundo.
O nível de toxicidade competitiva por causa de uma pedra é algo que você não consegue prever. Em um momento, eu vi uma pedra spawnar exatamente atrás de mim, mas cometi o erro de girar a câmera para o lado errado por um segundo. Quando voltei, outro player já tinha lootado a bendita rocha. Foi nesse instante que eu senti algo quebrar dentro de mim. Eu não estava lutando contra um dragão ancestral ou um exército de mortos-vivos, eu estava em guerra contra outros humanos por causa de minerais de construção.

É bizarro pensar que eu esperava ser quebrado mentalmente por um raid boss impossível ou por tentar entender os sistemas complexos de build do jogo. No fim das contas, quem me derrotou foi uma pedra. Isso mostra como o design de jogos mudou; hoje em dia, tudo é feito para a gente não sentir esse tipo de frustração, mas há algo de visceral nessa luta que, apesar de irritante, cria histórias que a gente não esquece. É o puro suco do hype daquela era onde o jogo não te dava nada de graça.
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No veredito final, World of Warcraft: Forever é uma experiência agridoce. Ele te entrega a nostalgia pura, mas te cobra isso com juros e correção monetária em forma de estresse. É um jogo para quem tem paciência de monge ou para quem gosta de sentir a pressão de um ambiente onde você é insignificante. Eu saí dessa experiência com a certeza de que a modernidade, com todos os seus facilitadores, existe por um motivo, mas que sinto falta de quando os jogos eram honestamente brutais.
No fim das contas, Azeroth continua sendo um lugar mágico, mas recomendo que, se você vir crianças trolls pedindo pedras, corra na direção oposta. Preserve sua saúde mental, porque a luta por recursos em um servidor lotado é capaz de transformar o jogador mais calmo em um maníaco da câmera giratória. Foi um aprendizado doloroso, mas genuíno, que só um clássico da Blizzard consegue proporcionar.



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